Polícia

Fintech da Faria Lima investigada em esquema do PCC movimentou mais de R$ 1 bilhão em dinheiro vivo

Divulgação/ Receita Federal
Uso de fintechs permitia dissimular os recursos de origem criminosa; esquema foi desvendado pela Receita Federal  |   Bnews - Divulgação Divulgação/ Receita Federal
Bernardo Rego

por Bernardo Rego

Publicado em 28/05/2026, às 16h19



Durante as investigações no âmbito da Operação Fluxo Oculto, desdobramento da Carbono Oculto, que apura um esquema de lavagem de dinheiro do PCC no setor de combustíveis, a Receita Federal identificou uma fintech localizada na Avenida Faria Lima, em São Paulo, que movimentou mais de R$ 1 bilhão em espécie. O nome da empresa não foi revelado.

De acordo com os relatórios da Receita Federal, foram identificadas movimentações atípicas e suspeitas de quase R$ 26 bilhões, além da retomada do uso de fintechs e plataformas de pagamento, que funcionaram como “dutos financeiros” do grupo criminoso.

"Foram desvendadas seis fintechs que movimentaram R$ 26 bilhões. Só uma delas movimentou em dinheiro mais de R$ 1 bilhão em dinheiro vivo, o que nem deveria ser possível no caso das fintechs. Claramente em lavagem de dinheiro do crime organizado", explicou o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas em entrevista coletiva.

O uso de fintechs permitia dissimular os recursos de origem criminosa. A sonegação fiscal e a adulteração de produtos aumentavam os lucros e prejudicavam os consumidores e a sociedade.

O objetivo da nova operação foi avançar na asfixia financeira e no desmantelamento do esquema de fraudes, sonegação e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis por meio da apreensão de evidências dos ilícitos e da identificação de outros eventuais participantes. Os focos principais foram mais seis fintechs descobertas e a adulteração de combustível com uso de nafta (solvente).

Foram cumpridos 59 mandados de busca e apreensão em pessoas físicas e jurídicas de cinco estados: São Paulo (capital, Arujá, Atibaia, Barueri, Itupeva, Jardinópolis, Mogi das Cruzes, Paulínia, Rafard, Santos, São José do Rio Preto, Sorocaba e Votorantim), Paraná (Cascavel e Paranavaí), Mato Grosso do Sul (Iguatemi), Minas Gerais (Belo Horizonte) e Rio de Janeiro (capital).

Em declaração a jornalistas, o ministro da Fazenda Dario Durigan, afirmou que a Receita Federal identificou uma movimentação de R$ 26 bilhões no esquema fraudulento envolvendo essas fintechs.

“O início é a adulteração de combustível, sonegação fiscal na importação de nafta que, de fato, leva à identificação de uma movimentação de algo como R$ 1 bilhão em espécie pra algumas dessas fintechs, em uma movimentação total de 26 bilhões em seis fintechs nos últimos anos, o que acende o sinal de alerta nos órgãos de inteligência”, esclareceu.

Das seis fintechs objeto da Operação Fluxo Oculto, três entregaram a e-Financeira informando cerca de R$ 8 bilhões movimentados de janeiro a dezembro de 2025. As outras três serão autuadas em fiscalização da Receita Federal pela não entrega da obrigação.

Claudio Ferrer de Souza, superintendente regional da Receita Federal, explicou que três das fintechs investigadas não apresentaram a e-Financeira, declaração que reúne informações sobre movimentações feitas pelos respectivos clientes. "Elas serão autuadas pela Receita e as providências cabíveis serão tomadas", pontuou o superintendente durante entrevista coletiva nesta quinta-feira (28).

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