Polícia
A polícia prendeu dois homens e apreendeu um adolescente, de 16 anos, acusados de necrofilia contra o corpo de uma mulher vítima de feminicídio, em Eldorado, no Mato Grosso do Sul, nesta quinta-feira (16).
A vítima foi Vera Lúcia da Silva, 42 anos, morta a tiros pelo ex-companheiro na frente da filha no domingo (12). O túmulo dela foi violado na madrugada seguinte ao enterro. O ex-companheiro, autor do feminicídio, tirou a própria vida após o crime, no quintal da casa.
De acordo com o delegado Robilson Júnior Fernandes, as investigações começaram ainda na quarta-feira.
"Funcionários do cemitério municipal, ao chegar ao local, perceberam que o túmulo dela havia sido violado e ela havia sido retirada para fora. Nós, imediatamente, nos deslocamos ao local, onde foi possível perceber que havia indícios de violação sexual. Então, acionamos a perícia criminal, que esteve no local e foi possível confirmar que, de fato, ocorreu a necrofilia nesse caso", detalhou o delegado.
Prisões
Ainda segundo a autoridade policial, após diligências, os investigadores conseguiram chegar ao principal envolvido no crime.
"Foi possível chegar a um nome de um indivíduo que esteve no local e era o principal suspeito. Ele foi trazido aqui para a delegacia, onde ele confessou a prática criminosa, deu detalhes de como ocorreu. Inclusive, ele mencionou que houveram outros dois autores desse crime, dando os dados dele. Então, todo mundo foi trazido para a delegacia e os autores foram presos", completou o delegado.
Confissões
À polícia, um dos envolvidos contou que foi ao cemitério para acompanhar um colega, de 16 anos, que pretendia visitar o túmulo da mãe. No local, encontraram um terceiro suspeito próximo à sepultura da vítima. Ele detalhou que, após o amigo violar o túmulo com um chute, os três retiraram o corpo. O próprio suspeito disse que foi o primeiro a cometer o ato de necrofilia.
“Disse que por pouco tempo porque cheirava mal”, relatou o delegado. Depois, o homem disse que deixou o local enquanto os outros dois permaneceram. “Mas alegou que não sabe o que fizeram depois”, concluiu o delegado.
O suspeito que confessou trabalhava em um mercado da cidade e usava tornozeleira eletrônica por tráfico de drogas. Os outros dois envolvidos não possuíam ocupação profissional. O caso é tratado como vilipêndio de cadáver, crime previsto no Código Penal.
“Ele confessou. Deu detalhes, citou nomes e levou a polícia até os outros envolvidos.” Delegado diz que suspeito admitiu ter participado da violação do túmulo e da necrofilia contra o corpo de Vera Lúcia, em Eldorado (MS). Dois foram presos e um adolescente apreendido. pic.twitter.com/MfndIgIcTC
— bnewsvideos (@bnewsvideos) April 17, 2026
Violência que não cessou
Vera é a décima vítima de feminicídio registrada no estado em 2026. O crime ocorreu no último domingo (12), no bairro Jardim Novo Eldorado, quando voltava para casa com a filha, de 9 anos. O ex-companheiro, que não aceitava o fim da relação, apareceu no local e atirou duas vezes. Em seguida, tirou a própria vida no quintal. A criança viu tudo.
O relacionamento havia durado mais de uma década. Terminou, mas não se encerrou de fato: havia histórico de agressões e medidas protetivas em vigor. Ainda assim, o desfecho foi o mais previsível e, ao mesmo tempo, o mais evitável.
Servidora da área da educação, formada em Pedagogia, Vera era descrita por colegas como alguém presente, dedicada, dessas que fazem falta no cotidiano da escola. Deixa quatro filhos. A prefeitura decretou luto oficial.
Um rastro que cresce
O número de mulheres mortas por companheiros ou ex-companheiros em Mato Grosso do Sul chama atenção. Em abril, o estado já alcança a marca que, no ano passado, só apareceu um mês depois.
A lista é longa e recente. Em janeiro, duas mulheres foram assassinadas em intervalos de poucos dias, em Bela Vista e Corumbá. Fevereiro trouxe mais nomes, incluindo uma jovem de 18 anos morta pelo namorado em Três Lagoas. Março seguiu no mesmo ritmo, com crimes em Anastácio, Dourados e outros municípios, alguns com requintes de crueldade que chocaram até investigadores experientes.
Antes de Vera, a subtenente Marlene de Brito Rodrigues havia sido encontrada morta dentro de casa, ainda fardada.
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