Polícia

Moradores são obrigados a deixar portas destrancadas para facilitar fuga de traficantes

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A ordem de deixar portas destrancadas e cadeados abertos partem dos traficantes  |   Bnews - Divulgação Ilustrativa | Freepik
Redação Bnews

por Redação Bnews

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Publicado em 29/08/2025, às 11h14



Localidades com forte atuação de facções criminosas, em Salvador, vivem com ordens que não podem ser descumpridas. Portas destrancadas e portões sem cadeados devem ser rotina na vida dos moradores, para facilitar a fuga ou estadia de traficantes caso precisem.

No Engenho Velho da Federação, por exemplo, virou costume ter traficantes armados dentro da residência de uma moradora durante as operações da polícia. Por lá e em outras localidades, caso não seja cumprida a ordem, os moradores sofrem torturas ou até podem ser mortos.

“Moro lá há 30 anos. Criei meus filhos e minha família aqui e nunca vi isso que está acontecendo. Agora tenho que dormir com as portas abertas e várias noites já me peguei acordando com gente armada dentro de casa mandando eu calar a boca porque eles estavam fugindo da polícia", relatou uma moradora ao Correio da Bahia.

Ela já penso em deixar a localidades, mas a questão financeira se tornou o principal impedimento. “Eu já botei minha casa para vender, mas ninguém quer comprar. Quem quer morar num lugar dominado pelo tráfico e com a polícia tocando o terror? Se eu tivesse dinheiro, já teria ido embora”, afirmou.

Em sigilo, moradores de outros bairros como no Nordeste de Amaralina, relatam a mesma vivência e afirmam que esse problema é antigo. “Quanto mais perto da boca [local de operação da facção], essas regras são mais fortes. Aqui isso existe há anos e, quando eu morava na região do Campo do Areal, já entraram na minha casa. Me saí de lá por isso e hoje estou em um lugar mais tranquilo no bairro”, contou.

Um policial, que preferiu não ser identificado, relatou ao site que na região do Subúrbio Ferroviário a história não é diferente. “Eles se aproveitam dessa situação que é imposta, invadem determinada residência e fazem e fazendo pessoas de reféns. Em outras [quando entram nas casas sem serem vistos por PMs], os marginais entram na casa e se escondem sem fazer reféns”, disse ele.

Ao longo do ano, muitos casos envolvendo reféns nas periferias foram noticiados em Salvador. Para o coronel reformado da PM, Antônio Jorge Melo, esses casos reforçam a invasão da violência dentro dos lares da população.

“As facções criminosas usam a população das comunidades carentes como escudo humano para se protegerem e para proteger o seu negócio. [...] Esses criminosos se protegem na comunidade, podendo, caso sejam descobertos, fazer os moradores reféns, como garantia de que sairão ilesos”, esclareceu o PM.

Segundo ele, os traficantes usam crianças também para dificultar a chegada da polícia. “Outra estratégia usada pelos traficantes é obrigar crianças a brincarem na rua, porque isso faz com que os policiais diminuam o ritmo durante uma incursão. Quando não é isso, usam os horários de presença intensa de estudantes fardados transitando nas ruas entre as 12h e 14h ou 16h e 18h”, informou.

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