Polícia
A biomédica Josiane Francischini Pereira denunciou a desorganização da empresa responsável pela atividade que resultou na trágica morte de Maria Eduarda, ocorrida no último sábado (13), em Limeira, interior de São Paulo.
"Quando a gente chegou lá, ficava a moça principal para receber, colocar as pulseirinhas e te dava uma senha. Aí ficava uma fila mais ou menos, mal organizada, não tinha uma pessoa fixa para colocar o equipamento certinho. Cada hora ia um, eles iam se revezando. Aí alguns iam comer, deitavam lá para dar uma descansada e voltavam. Então assim, a gente reparou que era uma desordem ali. Mas como éramos os últimos, a gente achou que, 'ah, eles estavam aqui desde manhã, então tudo tranquilo'", relatou a testemunha em entrevista à afiliada da TV Globo.
A orientação repassada pelos operadores era de que os participantes evitassem qualquer diálogo durante o procedimento. Segundo a biomédica, a justificativa era impedir distrações que pudessem comprometer a atenção dos responsáveis pelo manuseio das cordas.
“Eles foram profissionais no WhatsApp. A gente fez o agendamento, o pagamento. Uma semana antes eles montam um grupo com todo mundo que vai saltar, em torno de 90 pessoas a 95, mais ou menos. E depois disso, eles vão montando grupos por horários, para a gente chegar e não ficar tanto tempo esperando”, detalhou Josiane.

A Polícia Civil aponta indícios de amadorismo e negligência estrutural. A delegada Andréa Dantas Levy destacou a provável inexperiência dos envolvidos e revelou que os três indivíduos detidos no sábado não possuíam empresa constituída nem permissão legal para operar saltos naquela localidade.
"Durante o interrogatório, ficou claro pra mim, que eles ficaram desnorteados, não estava entendendo de quem foi a culpa ali. Acredito que realmente foi um amadorismo, a falta de experiência. Não é uma empresa. Não há uma regulamentação. Eles não tinham autorização para estar lá", afirmou a delegada em vídeo divulgado pela Band News TV.
Questionados sobre a falta de CNPJ, um dos suspeitos alegou que o rope jump não exige autorização específica por não ser regulamentado, afirmando que a experiência prática na região seria suficiente para a atividade.
Dados apontam que o coletivo de instrutores teria surgido de forma orgânica entre entusiastas do esporte. Uma das investigadas confirmou que o grupo se formou a partir de amizades feitas na prática da modalidade, reforçando a inexistência de uma estrutura empresarial formal.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que o 4° Distrito Policial de Limeira instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias:
"Três dos suspeitos que realizavam a atividade informal foram presos e passaram por audiência de custódia, sendo o flagrante convertido em preventiva. Outros três envolvidos continuam em investigação. A autoridade policial segue realizando oitivas de testemunhas e diligências para localizar a câmera corporal da vítima e esclarecer todas as circunstâncias dos fatos."
Maria Eduarda, de apenas 21 anos, faleceu após uma queda livre de cerca de 40 metros. Registros em vídeo feitos por testemunhas mostram o exato momento em que três instrutores ligados ao grupo informal lançam a jovem da ponte.
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