Polícia

Neta tenta culpar presidente Lula por desvio de R$ 200 mil das contas do avô: 'Lula cortou'

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A neta teria justificado ao avô que houve corte na aposentadoria que teria sido ordenado pelo presidente Lula  |   Bnews - Divulgação Ilustrativa / Freepik /
Tiago Di Araújo

por Tiago Di Araújo

tiago@bnews.com.br

Publicado em 27/05/2025, às 09h02



Um caso de suspeita de fraude financeira entre familiares chamou atenção da Polícia Civil do Paraná. Uma mulher de 35 anos é apontada como responsável por desvios de valores das contas do próprio avô e que chegaram a somar R$ 200 mil, entre os desfalques na aposentadoria e de um precatório (dívida paga após processo judicial).

Segundo o delegado Gabriel Munhoz, os desvios foram descobertos após um filho da vítima identificar que o Imposto sobre Propriedades de Veículos Automotores (IPVA) do carro do idoso estava em atraso há três anos. Os valores para pagamento teriam sido entregues à suspeita.

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Conforme a investigação, a suposta fraude teria iniciado em 2021, quando a suspeita passou a ser responsável pelas finanças do idoso. A partir disso, a neta passou a transferir mensalmente parte da aposentadoria da vítima para sua conta pessoal e chegou a justificar como "culpa" do presidente Lula a ausência de pagamento do décimo terceiro.

"O inquérito revela que a suspeita entregava apenas parte do valor da aposentadoria ao idoso, alegando que o restante estava guardado. Quando questionada sobre o décimo terceiro salário pelo idoso, afirmava que 'o Lula tinha cortado', evidenciando seu dolo e desprezo pelo avô", afirma Munhoz.

De acordo com a polícia, as investigações apontam desvio de R$ 72 mil da aposentadoria e mais R$ 109 mil do precatório de R$ 123,8 mil recebido. "Do valor total do precatório, apenas R$ 14 mil foram efetivamente repassados ao avô, tendo sido informado que o restante estava 'investido' ou 'bloqueado', quando, na verdade, os valores foram sendo retirados ao longo do tempo", conta o delegado em entrevista ao g1.

extrato bancário

A suspeita foi indiciada por estelionato, majorado pelo crime ser cometido contra idoso, além de responder pelo crime ter sido cometido de forma continuada, por ter sido repetido por vários anos. Isso porque, as investigações apontam também que a neta também realizava empréstimos e abria contas no nome do avô sem a autorização dele e chegou a criar uma personagem fictícia, se apresentando como funcionária da Caixa Econômica, para enganar a vítima.

"Para aplicar o golpe, a mulher criou uma personagem fictícia chamada 'Jessica', supostamente funcionária da Caixa Econômica, que ligava informando sobre bloqueios na conta e valores a serem retirados, além de abrir contas em outros bancos para desviar parte do valor", detalha Munhoz.

Apesar das evidências, a suspeita vai responder em liberdade, mas pode pegar pena de dez anos de prisão. A mulher nega os crimes e, segundo seu advogado, ainda assim pretende ressarcir o avô. "Os fatos não se deram como relatado pela autoridade policial. A suposta vítima era avô da acusada e colaborava voluntariamente para sua manutenção. Ademais, os valores são inferiores aos indicados no inquérito. Mas, mesmo não tendo ocorrido qualquer fraude, a acusada pretende ressarcir ao avô pelos valores emprestados", aponta Fernando Madureira.

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