Polícia

O assassinato do delegado que interrompeu uma entrevista ao vivo e chocou a Bahia; relembre o caso de Clayton Leão

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O crime ocorreu em 2010 e chocou ouvintes que ouviram o barulho dos disparos  |   Bnews - Divulgação Divulgação | PCBA
Redação Bnews

por Redação Bnews

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Publicado em 07/07/2026, às 05h01 - Atualizado às 06h24



Era para ser mais um dia comum na rotina do delegado da Polícia Civil da Bahia (PCBA), Clayton Leão Chaves, mas uma emboscada na estrada da Cascalheira, via de ligação entre a Linha Verde e a cidade de Camaçari, lhe tirou a vida no dia 26 de maio de 2010.

Esse foi um dos crimes bárbaros envolvendo autoridades baianas. A vítima, que na época tinha 35 anos, tinha acabado de estacionar seu veículo no acostamento da rodovia para conceder entrevista por telefone à uma rádio, quando foi executado com dois tiros na cabeça

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O delegado conseguiu ficar cerca de 15 minutos na linha telefônica concedendo entrevista para o programa 'De Olho na Cidade', que era comandado pelo radialista Marco Antonio Ribeiro. Em determinado momento, os criminosos chegaram e o executaram. O delito tornou-se ainda mais comovente porque os ouvintes que estavam acompanhando a entrevista puderam ouvir os tiros e pedidos de socorro da companheira de Chaves, que também estava no veículo e não sofreu ferimentos.

A fatalidade mobilizou várias unidades policiais e um helicóptero que fecharam a área em busca dos responsáveis pelo delito. Durante as incursões, equipes envolvidas nos cercos chegaram a relatar que, logo após assumir a gestão da 18ª Delegacia Territorial, ele focou em ações específicas de combate ao tráfico de drogas na cidade. Em uma delas, realizada em dezembro de 2009, denominada de 'Operação Pégasus', o delegado teria ido a campo participar diretamente das diligências que resultaram na captura de 10 suspeitos, em Camaçari, envolvidos em roubos de cargas em rodovias da Bahia. 

Greve suspensa da categoria suspensa e homenagens ao delegado

Por causa da morte do agente, uma greve de policiais civis da Bahia, que já estava em andamento, foi suspensa pela categoria para juntar esforços nas buscas dos criminosos e elucidação da morte do delegado. O assassinato de Clayton gerou comoção em várias esferas. Na época, a  Associação dos Delegados Polícia de Sergipe (Adepol), chegou a divulgar uma nota lamentando a morte do agente.

A prefeitura de Camaçari também prestou diversas homenagens ao delegado. Em uma delas, a prefeitura renomeou a rua da Rodoviária,  endereço da 18ª CP (Circunscrição Policial), delegacia onde o policial atuou por quase dois anos. Com a mudança de nome, a via passou a se chamar Rua Delegado Clayton Leão Chaves. Uma missa também foi realizada em homenagem a ele.

Missa promovida pela prefeitura de Camaçari no dia 27/05/2011
Missa promovida pela prefeitura de Camaçari no dia 27/05/2011

A Ordem dos Advogados da Bahia (OAB-BA) também se manifestou lamentando a tragédia e solicitando às autoridades medidas e providências para apurar o fato.

Captura dos suspeitos

Um dia após o assassinato, três suspeitos de envolvimento no crime foram detidos. Edson Cordeiro, 30 anos, e Rinaldo de Lima, 27, foram capturados, e  Magno Santos, 30, se apresentou à polícia. 

À época, o então secretário da Segurança Pública da Bahia (SSP), César Nunes, chegou a revelar que, nos relatos, um dos envolvidos revelou que Chaves foi morto por ter tentado reagir ao assalto. "O Rinaldo disse que atirou porque se assustou ao ver que Clayton tentou pegar uma arma", disse Nunes.

Os criminosos teriam um táxi roubado para cometer outros crimes, inclusive roubar o veículo do Clayton. Ainda em depoimento às autoridades, eles também falaram que não  reconheceram o delegado.

Em agosto de 2014,  um outro envolvido no assassinato foi localizado na cidade de Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, pelo Grupo de Apreensão e Captura (Grac) e do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).  Conhecido como Chicó, Renildo Nascimento de Jesus, já tinha mandado de prisão preventiva por um crime de latrocínio (roubo seguido de morte) ocorrido na Avenida Pinto Aguiar, em janeiro de 2011. 

Chicó e  dois comparsas tentaram roubar o Crossfox da vítima, chegou a ser preso e ficar custodiado no Complexo dos Barris, mas fugiu dias depois. Suspeito de cometer vários assaltos em Camaçari e ter envolvimento em outros homicídios na cidade, o suspeito foi recambiado para Salvador.

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