Polícia

Operação mira grupo suspeito de criar e negociar duplicatas falsas em Salvador; prejuízo supera R$ 15 milhões

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Suspeitos usavam dinheiro próprio para ocultar fraudes e continuavam negociando títulos, gerando prejuízos a fundos de investimento  |   Bnews - Divulgação Ascom-PCBA
Redação BNews

por Redação BNews

redacao@bnews.com.br

Publicado em 15/09/2026, às 06h14 - Atualizado às 07h26



A Polícia Civil da Bahia deflagrou, nesta terça-feira (15), a Operação Sem Lastro, que investiga um grupo suspeito de criar e negociar duplicatas falsas em Salvador. A ação conta com mandados de prisão e de busca e apreensão, além do bloqueio de bens dos investigados. As medidas também são realizadas em endereços de alto padrão na capital baiana.

De acordo com as investigações, o grupo criava documentos que simulavam dívidas de empresas. As duplicatas eram apresentadas a fundos de investimento como se fossem referentes a vendas ou serviços que haviam sido realizados.

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Ao longo da apuração, foram identificadas mais de mil duplicatas falsas, envolvendo mais de 200 empresas que apareciam nos documentos como responsáveis pelos pagamentos. Segundo a polícia, essas empresas não haviam realizado as operações comerciais indicadas nos títulos.

O valor das duplicatas negociadas ultrapassa R$ 32 milhões. Já o prejuízo confirmado pela investigação passa de R$ 15 milhões.

Para evitar que a fraude fosse descoberta, os suspeitos usavam dinheiro próprio para pagar algumas das duplicatas. Com os pagamentos, os títulos continuavam sendo negociados e novos valores eram obtidos junto aos fundos de investimento.

Durante a operação, a Justiça também determinou a indisponibilidade de bens móveis e imóveis avaliados em até R$ 15 milhões. A medida busca evitar que o patrimônio seja ocultado ou transferido e garantir recursos para um possível ressarcimento das vítimas.

Detalhes da Operação Sem Lastro

O delegado José Nélis, responsável pela operação, contou em entrevista ao Bnews como funcionava o esquema na prática e de que forma a polícia percebeu as fraudes e iniciaram as investigações.

“A Polícia Civil passa a ter informações, registro de boletim de ocorrências de pequenos empreendedores individuais, pessoas físicas que procuram a Delegacia de Polícia trazendo uma notícia que causa um assombro, em que milhares de títulos de crédito foram confeccionados em nome desses pequenos empresários e esses pequenos empresários começaram a amargar uma vida terrível, porque tiveram seus nomes negativados, tiveram seus negócios de pequeno empreendedor interrompido e muitos, inclusive, sendo direcionados à falência a partir desse grupo que atua falsificando títulos de crédito de pessoas que sequer tinham relação comercial, pequenos empreendedores de Salvador, de Mata de São João e de todo o interior do Estado da Bahia, bem verdade, que são vítimas significativas, porque são pessoas que tiveram a vida transformada, o sonho do empreendedorismo transformado em uma vida de amargura por esse grupo. Essa interrupção desse grupo causa um prejuízo significativo no mercado”, disse o delegado

“A Polícia Civil, então, passa a investigar, a atuar e descobre que eh esse grupo, além desses pequenos empreendedores, também aplicava golpes milionários nas representantes, nas empresas e corretagem de fundos, pegando, captando recursos de alto volumes em valor estimado inicial de R$ 15 milhões que chega até R$ 32 milhões, aplicando o golpe também nessas grandes empresas, falsificando títulos de crédito, levando pequenos empreendedores, pequenos comerciantes à ruína para se manter exatamente nesse mundo da criminalidade financeira”, acrescentou.

O diretor do Departamento de Polícia Metropolitana da Bahia, delegado Moisés Damasceno, deu detalhes das empresas que foram vítimas das fraudes durante entrevista ao Bnews. 

"Na manhã de hoje foi deflagrada essa operação. Foram três mandados de prisão cumpridos, três mandados de prisão temporárias, oito mandados de busca realizadas tanto na residência dessas pessoas que foram alvos da prisão, como também em sede de empresas, locais onde havia depósito de mercadorias, esses materiais vão ficar apreendidos, uma parte em relação à instrução de crédito policial, porque foram apreendidos celulares, pendrives, notebooks, que vão servir para a extração desse material, e outra parte, como as mercadorias, por exemplo, vão ficar à disposição, porque pode servir inclusive para recompor o patrimônio daquelas pessoas que foram vitimadas", pontuou o delegado.

"É um golpe grande, um golpe que gira em torno de 15 milhões, que pode ter movimentado até mais, até 32 milhões e gira em torno de títulos de créditos falsos, falsificados por esse grande mentor, que era um indivíduo que trabalhava na empresa de investimento, uma empresa de gestora de investimento. Esse indivíduo era diretor comercial dessa empresa de investimentos e, a partir do momento que ele tomou conhecimento como funcionável negócio, ele teve a ideia de aplicar esses golpes e que gerou esse grande prejuízo, não só em relação a fundos de investidores, como também em relação a empresas pequenas que tiveram títulos e apareceu como pessoas sacadas, ou seja, como devedoras daqueles créditos que na verdade não existiam", destacou o delegado.

Classificação Indicativa: Livre

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