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Percussionista de Salvador relata ameaças após ter carro destruído por ex-namorado por recusar reatar relacionamento; veja vídeo

Imagem Percussionista de Salvador relata ameaças após ter carro destruído por ex-namorado por recusar reatar relacionamento; veja vídeo
Vítima, identificada como Carolina Valente, teve o carro depredado pelo ex-companheiro após se recusar dialógo  |   Bnews - Divulgação
Carolina Papa

por Carolina Papa

carolina.papa@bnews.com.br

Publicado em 31/01/2026, às 13h51



A percussionista Carolina Valente tem vivido meses de tensão desde o início e, sobretudo, após o término da relação com o ex-companheiro, Marlon da Silva Barbosa. A artista relata que vem sofrendo ameaças, perseguições e agressões verbais por se recusar a manter um relacionamento amoroso com o homem.

Integrante do projeto social Yaya Muxima, no Pelourinho, no Centro Histórico de Salvador, Carolina afirma que, desde que decidiu encerrar o namoro, não consegue manter sua rotina normalmente diante dos constantes ataques do ex-namorado.

Em entrevista ao BNews, a percussionista contou que percebeu, ainda no início do relacionamento, comportamentos “tóxicos” e “violentos” por parte de Marlon e que, após manifestar o desejo de terminar, passou a ser hostilizada e difamada por ele no Pelourinho.

“Percebi que ele era muito tóxico, machista e misógino. Começou a dizer que eu estava olhando para outros homens e a criticar as roupas que eu usava, dizendo que eram vulgares”, afirmou.

“Ele continua me difamando pelo Pelourinho, dizendo que eu sou prostituta, vagabunda, 'marmita', que eu pago para transar. Ele é um homem extremamente ciumento, tóxico e violento. Questiona minha sexualidade, pergunta se eu gosto de mulher ou de homem e, quando digo que quero terminar, afirma que eu já tenho outro homem”, relatou.

No dia 25 de janeiro, Marlon depredou o carro de Carolina após ela se recusar a conversar com ele. A percussionista revelou ainda que, uma semana antes do episódio, o ex-companheiro já havia ido até a sede do projeto Yaya Muxima para proferir ofensas contra ela em público. 

Segundo Carolina, no dia em que Marlon quebrou os vidros do automóvel, ela participava de uma tocada no bairro de Santo Antônio Além do Carmo quando passou a ser hostilizada à distância por Marlon, que insistia para que ela saísse do local e conversasse com ele.

“Ele sabia onde meu carro estava estacionado e ficou me pressionando para sair da tocada e conversar com ele, além de querer me apresentar a uma pessoa de confiança dele. Acredito que a intenção fosse que essa pessoa tentasse me convencer a continuar o relacionamento. Eu recusei.”

Ela relata que, ao se levantar para ir a um restaurante, Marlon a abordou e tentou forçá-la a sair do estabelecimento para conversar do lado de fora.

“Insisti várias vezes dizendo que não queria. Quando fui clara e disse: ‘me deixe em paz, não fale mais comigo, eu não quero nada com você’, acredito que foi nesse momento que ele se dirigiu ao meu carro e quebrou os vidros. Minha vida foi completamente modificada. Minha rotina mudou totalmente diante de tudo isso".

Deam x atendimento burocrático

Diante das ameaças, Carolina Valente procurou a Casa da Mulher Brasileira para solicitar uma medida protetiva contra o ex-companheiro, mas afirma não ter obtido êxito de imediato, classificando o processo como “extremamente burocrático”.

Ela conta que foi atendida por uma psicoterapeuta da unidade, que avaliou o caso como de "risco iminente". No entanto, ao tentar registrar a ocorrência na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), foi orientada a retornar em outro dia devido a problemas de saúde da delegada plantonista.

“Quando cheguei à Deam, a delegada plantonista não pôde me atender porque estava passando mal e precisou ser levada a uma emergência. Fui orientada a retornar no dia do plantão dela. Expliquei que não poderia esperar, pois estava em risco iminente, mas pediram que eu aguardasse.”

No dia seguinte, após novo ataque protagonizado por Marlon na porta da sede do projeto, Carolina retornou à Deam, mas foi informada de que não poderia registrar nova queixa.

“Disseram que eu só poderia falar com a delegada do plantão. Por conta dessa burocracia, não consegui exigir a medida protetiva naquele momento.”

O registro da medida protetiva só foi efetivado na sexta-feira (31), após Carolina comparecer à delegacia acompanhada por um grupo de mulheres. Segundo ela, foi informada de que a confirmação seria enviada por telefone, o que, até o momento, não ocorreu.

“Disseram que a medida chegaria no meu celular e também no celular dele, ainda ontem. Até agora, isso não aconteceu.”

Para Carolina, embora a medida protetiva não resolva todos os problemas, ela é "essencial".

“A medida protetiva não resolve tudo, claro, mas é o mínimo. Se ele me atacar na rua, posso chamar a Polícia Militar. Mas, sem a medida, se eu disser apenas que ele está ali, a polícia não pode fazer nada, pois alegará o direito dele de ir e vir. Quem está sem esse direito sou eu.”

O BNews informou que entrou em contato com a Polícia Civil, mas, até o momento, não obteve retorno. O espaço permanece aberto.

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