Polícia

Perícia muda rumo de investigação sobre denúncia de estupro cometido por PMs no Carnaval; saiba detalhes

Divulgação/ SSP
Diretor do DPT, Osvaldo Silva comentou ainda que a análise pericial foi fundamental para elucidação dos fatos  |   Bnews - Divulgação Divulgação/ SSP
Bernardo Rego

por Bernardo Rego

Publicado em 20/02/2026, às 06h00



O Departamento de Polícia Técnica (DPT), por meio da Polícia Científica, foi uma forças de segurança que atuou no Carnaval de Salvador em 2026. Foram montados seis postos nos circuitos oficiais incluindo o carnaval do Santo Antônio Além do Carmo, no Centro Histórico.

O diretor-geral do DPT, Osvaldo Silva, em entrevista ao Bnews, contou um pouco mais sobre a atuação da corporação no período do carnaval. Ele detalhou a respeito de dois crimes que chamaram atenção. Um deles foi um possível estupro no circuito Dodô (Barra-Ondina), em que três policiais militares estariam envolvidos, e uma tentativa de homicídio em que três pessoas foram atingidas.

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"A Polícia Científica trabalha na análise dos vestígios de eventuais crimes. Então, assim que nós recebemos a informação de algum tipo de crime nós atuamos juntamente com a Polícia Civil. Eles na parte da investigação policial propriamente dita e nós na parte da investigação pericial, dos vestígios de local de crime. Nos casos específicos de crimes contra a dignidade sexual a perícia ela vai ser, em regra, fundamental pra elucidação dos fatos", explicou.

"Mas eu vou lhe dizer que a perícia ela atuou desde o início tanto no local indicado como local da prática do crime, do fato, quanto também nas perícias realizadas na vítima para identificar eventuais vestígios de crime. Então, assim, atuamos, como falei, realizando perícias de imagem, que existem câmaras de segurança próximas ao local, existe a perícia no local propriamente dito, no ambiente em que foi informado, existe a perícia também na própria vítima porque o crime possivelmente deixaria algum tipo de vestígio. A avaliação foi feita também na vítima , nas vestes da vítima. Crimes sexuais nós temos que avaliar se houve realmente algum tipo de ato sexual ou não, ou se houve apenas algum tipo de ato libidinoso diverso", acrescentou.

Osvaldo pontuou ainda que há uma avaliação de vestígios de espermatozoides e PSA. Caso seja negativo aí vai se buscar outro elemento, por exemplo, a presença de vestígios de DNA no local ou nas vestes da vítima, diferente do seu perfil.

"Nós analisamos numa veste, por exemplo, o perfil que existe ali normalmente vai com certeza bater o perfil da própria dona daquela veste, daquela roupa, então é um perfil feminino, se a gente encontrar outro perfil naquele local, um perfil masculino, a gente aí vai investigar de quem seria e aí a polícia civil entra nos apresentando alguns possíveis suspeitos e aí com a apresentação desse suspeito nós fazemos a comparação pra ver se esse perfil masculino, por exemplo, encontrado na veste da vítima, ele corresponde a um daqueles suspeitos", contou.

"Nós fizemos também esses exames, o resultado já foi dado e a Polícia Civil já tem esse resultado. Como falei, não posso adiantar em virtude das investigações, mas vou lhe garantir que neste caso específico a perícia vai ser fundamental para elucidar o caso", esclareceu.

"[...] Porque num primeiro momento, pensou-se em algo relacionado ao estupro só que no decorrer das investigações e no aprimoramento do depoimento da vítima, verificou-se que efetivamente não houve um estupro. Pode ter havido um abuso, mas não um estupro que envolve conjunção carnal. A conjunção carnal não houve. Mesmo porque não foram encontrados, aí eu posso lhe dizer porque nós corroboramos com essa informação que não houve conjunção carnal", detalhou o diretor-geral do DPT. "A perícia não detectou nenhum tipo de evidência de conjunção carnal na vítima. Então, já foi o primeiro ponto para que a investigação mudasse de rumo", acrescentou.

Sobre os possíveis autores, Silva disse que as indicações e a provas colhidas já excluem os possíveis suspeitos que foram apontados como autores da prática delituosa.

Tentativa de homicídio no Campo Grande

A respeito de um crime onde três pessoas foram atingidas por disparo de arma de fogo no circuito Osmar, no Campo Grande, o diretor do DPT garantiu que após as perícias e provas realmente tratou-se de um homicídio na modalidade tentada já que o disparo poderia ter ceifado a vida de alguém. Ele disse ainda que dois suspeitos do crime já foram presos.

"Foram três pessoas atingidas, mas houve apenas um disparo. Ou seja, o projétil, ele atingiu de raspão essas pessoas. No momento em que houve a indicação do crime, a perícia atuou junto com a Polícia Civil na análise das imagens do local e também atuou na perícia de local para identificar algum vestígio. Como naquele local ali, pela aglomeração de pessoas, não foi possível identificar muita coisa, foi identificado apenas um gotejamento de sangue compatível com uma das vítimas.

[...] Pelas imagens das câmeras de segurança, a perícia, juntamente com a Polícia Civil, conseguiu qualificar esses indivíduos, ou seja, dizer que esses três estavam no local no momento. Duas pessoas já estão presas, uma pessoa que possivelmente efetuou o disparo e uma outra pessoa que estava detendo a arma", afirmou.

Operação do DPT no Carnaval

O DPT montou dois postos especializados para no atendimento de vítimas de crimes contra a dignidade sexual. As Unidades foram formadas por equipes exclusivamente femininas, para garantir maior acolhimento e cuidado.

Exames de Constatação de drogas de abuso

Perícias de Constatação de Drogas também foram realizadas nos posto do DPT evitando a saída e deslocamento dos prepostos das forças de Segurança dos locais de festa. Segundo dados do órgão, 110 perícias relacionadas a drogas de abuso em 2025 e esse ano apenas 43.

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