Polícia

Policial baiano enfrenta cartéis mexicanos em treinamento internacional; veja vídeo

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À reportagem, Douglas Pithon detalhou os desafios de operar em um ambiente dominado por redes de narcotráfico  |   Bnews - Divulgação Arquivo Pessoal
Adelia Felix

por Adelia Felix

adeliafelix@bnews.com.br

Publicado em 27/08/2024, às 11h54 - Atualizado às 12h01



O investigador da Polícia Civil da Bahia, Douglas Pithon, lotado na Coordenação de Operações e Recursos Especiais (Core), relatou em entrevista ao BNEWS sua experiência em operações reais no México, na cidade de Juárez, região marcada pela atuação dos cartéis de Sinaloa e Juárez.

À reportagem, Pithon destacou a importância da cooperação internacional, detalhou os desafios de operar em um ambiente dominado por redes de narcotráfico e apontou como esse intercâmbio pode fortalecer a atuação das forças especiais no estado baiano.

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“Operar em um ambiente caótico e de domínio total dos cartéis mais temidos do mundo, a exemplo do Cartel de Sinaloa e Cartel Juárez, é um desejo para qualquer homem de Forças Especiais”, disse o policial. 

Como o único brasileiro no Encontro Internacional de Forças Especiais, realizado no estado de Chihuahua, o investigador baiano participou de uma série de treinamentos e workshops ao lado de colegas de diversos países, com foco em capacidades humanas, doutrina, armamento, equipamentos e logística das Forças Especiais.

Em entrevista, o agente afirmou que alguns fundamentos e doutrinas utilizadas nessas regiões poderão ser adaptados para melhor efetuar as missões policiais em cenários similares, a exemplo de áreas montanhosas da Chapada Diamantina.

Confira:

BNEWS: Como foi a experiência de representar o Brasil em um evento internacional de tamanha magnitude?
Douglas Pithon: Primeiramente, foi uma honra representar a minha instituição Polícia Civil da Bahia, por consequência, todos os policiais brasileiros, já que fui o único participante do país, em consequência representar todos os policiais brasileiros, já que eu fui o único participante do Brasil. Além disso, é importante reforçar que este evento marca uma evolução nos intercâmbios internacionais entre Forças Especiais, preparando-nos para atuar em cenários dos mais complexos.

BNEWS: Como você avalia a cooperação e troca de conhecimentos entre as forças especiais de diferentes países? Houve alguma técnica ou abordagem que chamou sua atenção por ser diferente das práticas brasileiras?
Douglas Pithon: É de extrema relevância a troca de experiência das Forças Especiais de todo o mundo, uma vez que podemos compartilhar as ocorrências mais difíceis e as soluções mais eficientes e aceitáveis, além disso entender o contexto de atuação das unidades de Operações Especiais nos diferentes países. 

Em relação à técnica que mais me chamou a atenção foi atuação em área desértica e montanhosa, já que isso não é uma realidade geográfica do Brasil. Porém alguns fundamentos e doutrinas utilizadas nessas regiões poderão ser adaptados para melhor efetuar nossas missões em cenários similares, a exemplo de áreas montanhosas da Chapada Diamantina.

BNEWS: A segunda fase do evento incluiu operações reais em Juárez. Como foi o preparo para essa fase? Qual a importância de treinar em um ambiente com uma alta incidência de atividades dos cartéis?
Douglas Pithon: Confesso que foi a melhor fase no meu ponto de vista. Operar em um ambiente caótico e de domínio total dos cartéis mais temidos do mundo, a exemplo do Cartel de Sinaloa e Cartel Juárez, é um desejo para qualquer homem de Forças Especiais, posso dizer que é a realização de um sonho. 

Primeiro foi realizado uma contextualização histórica sobre a atuação dos cartéis no México, com ênfase na Ciudad Juárez, onde seria a operação. Na sequência realizamos uma patrulha de reconhecimento terrestre, utilizando blindados e uma patrulha aérea, utilizando helicóptero, com objetivo de planejar com excelência a intervenção nos locais mais conflagrados da cidade, já que existe uma guerra entre os dois principais cartéis para dominar o território. 

As operações foram sistemáticas e realizadas por um longo período no terreno, além das patrulhas de reconhecimento que aconteceram em dois dias, ficamos mais de 36h nas áreas conflagradas sem retornar à base. Ao longo dessas intervenções ocorreram algumas interferências com confronto armado, mas por questões de sigilo, não posso detalhar, o importante é que não tivemos policiais atingidos. O importante dessa fase é efetivamente se colocar à prova no “olho do furacão”, afinal é uma tarefa árdua e extremamente complexa.

BNEWS: De que maneira a sua participação neste evento pode beneficiar a Polícia Civil da Bahia e o trabalho das Forças Especiais no Brasil?
Douglas Pithon: Os maiores benefícios, sem nenhuma dúvida, serão os ensinamentos e as experiências que serão compartilhadas, sempre com o objetivo de apresentar um trabalho melhor na defesa da sociedade baiana. E com certeza as relações bilaterais estabelecidas abrem portas para outros intercâmbios internacionais e cada vez mais capacitação para nós policiais de Operações Especiais, já que atuamos na “Última Ratio” ou seja, último recurso do estado em relação a nível de segurança. Nós não podemos falhar, o nosso compromisso será sempre 0% de falha.

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