Polícia
O investigador da Polícia Civil da Bahia, Douglas Pithon, lotado na Coordenação de Operações e Recursos Especiais (Core), relatou em entrevista ao BNEWS sua experiência em operações reais no México, na cidade de Juárez, região marcada pela atuação dos cartéis de Sinaloa e Juárez.
À reportagem, Pithon destacou a importância da cooperação internacional, detalhou os desafios de operar em um ambiente dominado por redes de narcotráfico e apontou como esse intercâmbio pode fortalecer a atuação das forças especiais no estado baiano.

“Operar em um ambiente caótico e de domínio total dos cartéis mais temidos do mundo, a exemplo do Cartel de Sinaloa e Cartel Juárez, é um desejo para qualquer homem de Forças Especiais”, disse o policial.
Como o único brasileiro no Encontro Internacional de Forças Especiais, realizado no estado de Chihuahua, o investigador baiano participou de uma série de treinamentos e workshops ao lado de colegas de diversos países, com foco em capacidades humanas, doutrina, armamento, equipamentos e logística das Forças Especiais.
Em entrevista, o agente afirmou que alguns fundamentos e doutrinas utilizadas nessas regiões poderão ser adaptados para melhor efetuar as missões policiais em cenários similares, a exemplo de áreas montanhosas da Chapada Diamantina.
Confira:
BNEWS: Como foi a experiência de representar o Brasil em um evento internacional de tamanha magnitude?
Douglas Pithon: Primeiramente, foi uma honra representar a minha instituição Polícia Civil da Bahia, por consequência, todos os policiais brasileiros, já que fui o único participante do país, em consequência representar todos os policiais brasileiros, já que eu fui o único participante do Brasil. Além disso, é importante reforçar que este evento marca uma evolução nos intercâmbios internacionais entre Forças Especiais, preparando-nos para atuar em cenários dos mais complexos.
BNEWS: Como você avalia a cooperação e troca de conhecimentos entre as forças especiais de diferentes países? Houve alguma técnica ou abordagem que chamou sua atenção por ser diferente das práticas brasileiras?
Douglas Pithon: É de extrema relevância a troca de experiência das Forças Especiais de todo o mundo, uma vez que podemos compartilhar as ocorrências mais difíceis e as soluções mais eficientes e aceitáveis, além disso entender o contexto de atuação das unidades de Operações Especiais nos diferentes países.
Em relação à técnica que mais me chamou a atenção foi atuação em área desértica e montanhosa, já que isso não é uma realidade geográfica do Brasil. Porém alguns fundamentos e doutrinas utilizadas nessas regiões poderão ser adaptados para melhor efetuar nossas missões em cenários similares, a exemplo de áreas montanhosas da Chapada Diamantina.

BNEWS: A segunda fase do evento incluiu operações reais em Juárez. Como foi o preparo para essa fase? Qual a importância de treinar em um ambiente com uma alta incidência de atividades dos cartéis?
Douglas Pithon: Confesso que foi a melhor fase no meu ponto de vista. Operar em um ambiente caótico e de domínio total dos cartéis mais temidos do mundo, a exemplo do Cartel de Sinaloa e Cartel Juárez, é um desejo para qualquer homem de Forças Especiais, posso dizer que é a realização de um sonho.
Primeiro foi realizado uma contextualização histórica sobre a atuação dos cartéis no México, com ênfase na Ciudad Juárez, onde seria a operação. Na sequência realizamos uma patrulha de reconhecimento terrestre, utilizando blindados e uma patrulha aérea, utilizando helicóptero, com objetivo de planejar com excelência a intervenção nos locais mais conflagrados da cidade, já que existe uma guerra entre os dois principais cartéis para dominar o território.
As operações foram sistemáticas e realizadas por um longo período no terreno, além das patrulhas de reconhecimento que aconteceram em dois dias, ficamos mais de 36h nas áreas conflagradas sem retornar à base. Ao longo dessas intervenções ocorreram algumas interferências com confronto armado, mas por questões de sigilo, não posso detalhar, o importante é que não tivemos policiais atingidos. O importante dessa fase é efetivamente se colocar à prova no “olho do furacão”, afinal é uma tarefa árdua e extremamente complexa.

BNEWS: De que maneira a sua participação neste evento pode beneficiar a Polícia Civil da Bahia e o trabalho das Forças Especiais no Brasil?
Douglas Pithon: Os maiores benefícios, sem nenhuma dúvida, serão os ensinamentos e as experiências que serão compartilhadas, sempre com o objetivo de apresentar um trabalho melhor na defesa da sociedade baiana. E com certeza as relações bilaterais estabelecidas abrem portas para outros intercâmbios internacionais e cada vez mais capacitação para nós policiais de Operações Especiais, já que atuamos na “Última Ratio” ou seja, último recurso do estado em relação a nível de segurança. Nós não podemos falhar, o nosso compromisso será sempre 0% de falha.
Policial baiano enfrenta cartéis mexicanos em treinamento internacional
— bnewsvideos (@bnewsvideos) August 27, 2024
O investigador da Polícia Civil da Bahia, Douglas Pithon, contou ao BNEWS sobre sua experiência em operações reais no México, na cidade de Juárez, uma área de atuação dos cartéis de Sinaloa e Juárez. pic.twitter.com/QMGfqyYNV2
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