Polícia

Preso policial militar que atirou em entregador após acidente de trânsito em Salvador

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Soldado Rodrigo Wamderley Ramos Bonfim foi preso nesta quarta-feira (2) por suspeita de atirar contra Cirilo Carvalho, de 27 anos  |   Bnews - Divulgação Reprodução
Adelia Felix

por Adelia Felix

adeliafelix@bnews.com.br

Publicado em 02/09/2026, às 10h23 - Atualizado às 12h00



Um policial militar, de 38 anos, foi preso preventivamente nesta quarta-feira (2), suspeito de atirar contra o entregador da Amazon, Cirilo Carvalho, de 27 anos, após um desentendimento de trânsito em Salvador.

O episódio aconteceu em 24 de agosto, na região da Avenida Paralela, e o investigado, identificado como o soldado Rodrigo Wamderley Ramos Bonfim, foi localizado no bairro de Valéria.

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A prisão foi cumprida em uma ação integrada entre as polícias Civil e Militar da Bahia. Segundo a Polícia Civil, o mandado foi executado pela Corregedoria da Polícia Militar da Bahia (PMBA), após a Justiça determinar a prisão preventiva do investigado.

PM instaurou processo disciplinar

Ao BNews, a Polícia Militar da Bahia (PM-BA) informou que, desde que tomou conhecimento da ocorrência envolvendo o soldado Rodrigo Wanderley Ramos Bonfim, adotou as providências administrativas e disciplinares para apurar os fatos.

A corporação informou que foi instaurado um Processo Administrativo Disciplinar (PAD). Nesta quarta-feira (2), a Corregedoria cumpriu o mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça e realizou os procedimentos legais decorrentes do cumprimento da ordem judicial.

Após a conclusão das providências, o militar será conduzido ao Centro de Custódia Provisória e Acompanhamento (CCPA), no Batalhão de Polícia de Choque, onde permanecerá custodiado e à disposição da Justiça.

Disparo atingiu a perna da vítima

Segundo as investigações, após o desentendimento de trânsito, o policial teria efetuado um disparo, à curta distância, contra a perna de Cirilo e também teria proferido ameaças de morte.

Depois de ser atingido, o entregador conseguiu conduzir o próprio veículo até as proximidades da Estação de Metrô de Pituaçu, onde recebeu auxílio de populares e foi encaminhado para atendimento médico.

De acordo com os laudos incorporados à investigação, o projétil atingiu a região acima do joelho direito.

Cirilo estava realizando entregas no momento da ocorrência e usava a roupa de entregador de uma plataforma de e-commerce. Segundo a família, ele foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para o Hospital Geral do Estado (HGE), onde permaneceu internado com estado de saúde estável, conforme informado pela esposa, Samile Sahade.

Vídeos e testemunhas ajudaram na identificação

Durante as diligências, foram reunidos registros em vídeo feitos pela própria vítima durante a abordagem, depoimentos de testemunhas e outros elementos que permitiram identificar o investigado.

A Polícia Civil, por meio da Delegacia Territorial de Pau da Lima (DT/Pau da Lima), vinculada ao Departamento de Polícia Metropolitana (Depom), representou pela prisão preventiva. A medida foi deferida pela 3ª Vara das Garantias de Salvador, após manifestação favorável do Ministério Público.

O caso passou a ser investigado como tentativa de homicídio.

Família já havia apontado policial

A família de Cirilo havia afirmado que o homem envolvido na ocorrência seria Rodrigo Wamderley Ramos Bonfim, policial militar que estaria de folga no momento do episódio. Na ocasião, Samile Sahade afirmou ao BNews: “Ele é um policial militar, a gente sabe só até o momento que o nome dele é Vanderlei, não temos muito mais informações que isso”.

A esposa também afirmou que o homem não teria se identificado formalmente como policial durante a abordagem. “Não, não se identificou. Ele só saiu do carro e a linguagem dele foi apenas de violência”, declarou.

Segundo Samile, Cirilo relatou que não houve diálogo antes do disparo. “O agressor não falou nada. Ele só saiu do carro e atirou em meu marido. Ele não falou, ele não teve comunicação. Porque o que a gente sabe foi, primeiro, o que as testemunhas que estavam no local falaram pra gente, e segundo, o que meu marido me disse no caminho da ambulância. Mas ele não estava conseguindo falar muito porque ele estava com muita dor”, detalhou.

Vídeo mostra suspeito saindo de Corolla

Uma gravação feita por Cirilo durante a ocorrência mostra o momento em que o homem apontado como autor do disparo sai de um Corolla. No vídeo, é possível ouvir o som de um giroflex enquanto ele deixa o veículo.

O homem aparece ainda com um objeto na região do peito que, segundo a contextualização apresentada pela família, seria semelhante a um distintivo funcional. A imagem, contudo, não permite afirmar apenas pelo vídeo qual corporação o homem integraria.

Em áudio gravado pela própria vítima no hospital e compartilhado com o BNews pela esposa, Cirilo relatou que o condutor do Corolla teria provocado a colisão, saído do veículo armado e efetuado o disparo.

“Ele bateu na lateral do carro, eu perdi o controle, freei e, depois, ele bateu também de novo na minha porta do motorista. Ele já saiu do carro armado, apontando a arma para mim e me xingando, mandando eu descer do carro, só que eu não tinha como descer, porque o a parte frontal do carro dele estava grudada na minha porta, e eu mostrei para ele. Ele tentou me tirar pela porta do passageiro, mas não conseguiu, porque o local estava cheio de pacotes. E, assim que ele terminou a filmagem, ele sacou a arma e disparou contra mim”, disse a vítima.

Carro ficou no local após o disparo

O veículo de Cirilo permaneceu no local do acidente até por volta das 19h, cerca de sete horas depois do disparo. Segundo familiares, o automóvel ainda não havia sido removido nem periciado.

Uma cápsula encontrada sobre o banco do passageiro foi colocada pelos familiares dentro de um saco plástico enquanto eles aguardavam a perícia.

“A cápsula da bala ainda está dentro do carro, em cima do banco do passageiro, a gente está aguardando mais informações, mas eles cancelaram a perícia, o carro está lá parado”, disse Samile.

À reportagem, a assessoria do Departamento de Polícia Técnica (DPT) informou que a Polícia Civil não havia solicitado a realização da perícia. A orientação foi para que o BNews buscasse esclarecimentos junto à Polícia Civil, que não havia se manifestado sobre o motivo da não solicitação.

Família relatou mudança no registro

Segundo a esposa da vítima, a família procurou registrar inicialmente a ocorrência como tentativa de homicídio, mas o caso teria sido alterado para lesão corporal.

“Fizemos o boletim de ocorrência no próprio HGE. Só que tentamos a abertura do boletim de ocorrência para tentativa de homicídio, até porque o lugar onde a bala está alojada é muito próximo à artéria femoral, então, a chance de morte era muito grande. Mas, o delegado chamado Dermeval Amado Júnior ligou para lá diversas vezes, ele ligou para lá e mandou trocar de tentativa de homicídio para lesão corporal. Inclusive, isso fez com que a perícia no veículo fosse cancelada”, lamentou.

Na época, a Polícia Civil informou que a Delegacia Territorial de Pau da Lima (DT/Pau da Lima) já possuía indícios de autoria sobre a ocorrência registrada inicialmente como lesão corporal. Segundo a corporação, um homem de 27 anos havia sido atingido por disparo de arma de fogo e socorrido para uma unidade hospitalar.

Testemunha procurou a família

A irmã da vítima, Luísa Carvalho, afirmou que uma testemunha procurou a família depois de presenciar a ocorrência. Segundo ela, a mulher fez uma chamada de vídeo e relatou o que havia acontecido.

“Tinha testemunhas, tanto que foi uma moça que me ligou. Foi como eu soube o que tinha acontecido, ela fez uma chamada de vídeo. Foi uma covardia que meu irmão não reagiu a nada e, mesmo assim, meu irmão tomou um tiro. Tem essa testemunha que pode provar”, acrescentou.

Classificação Indicativa: Livre

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