Polícia

Procurado pela Interpol, líder de facção que planejou fuga de mais de mil detentos é preso em casa de luxo

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Considerado um dos criminosos mais procurados do Brasil, suspeito tinha condenações que somam mais de 150 anos de prisão  |   Bnews - Divulgação Divulgação/MJSP
Redação BNews

por Redação BNews

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Publicado em 13/03/2026, às 07h51



Um homem apontado pela polícia como uma das principais lideranças da maior organização criminosa do Rio Grande do Sul foi preso na tarde de quinta-feira (12), em uma casa de luxo localizada em uma área rural de Santa Catarina. Tiago Benhur Flores Pereira, conhecido como Benhur, era considerado um dos criminosos mais procurados do país.

A prisão foi realizada pela Polícia Civil, por meio do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc), com apoio de agentes de Santa Catarina.

Segundo as autoridades, Benhur estava foragido desde julho de 2024, quando rompeu a tornozeleira eletrônica que utilizava após obter o benefício de prisão domiciliar humanitária. Ele estava no topo da chamada "lista vermelha" de procurados do estado.

Além de ser procurado nacionalmente, o traficante também constava na lista de alvos prioritários do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) e na Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo que solicita a localização e prisão de foragidos em 196 países. As condenações contra ele somam mais de 150 anos de prisão.

Ele é apontado como um dos principais responsáveis pela entrada de grandes carregamentos de drogas no Rio Grande do Sul, movimentando um esquema milionário ligado ao tráfico.

Durante a prisão, Benhur não apresentou resistência. No local, os policiais encontraram dois veículos de luxo no imóvel e apreenderam aparelhos celulares, que agora serão analisados.

O preso deve passar por audiência de custódia nesta sexta-feira (13), e a polícia pretende solicitar sua transferência para o Rio Grande do Sul.

Ficha criminal

Tiago Benhur Flores Pereira possuía ao menos cinco mandados de prisão em aberto, expedidos por diferentes varas judiciais. Três deles são de prisão preventiva relacionados a investigações sobre organização criminosa.

Mesmo enquanto cumpria pena, ele era alvo de novas investigações. Um dos mandados preventivos foi expedido em 18 de julho de 2024, poucos dias antes de ele romper a tornozeleira eletrônica.

À época, segundo a polícia, Benhur havia passado por uma cirurgia após alegar fortes dores provocadas por artrose e hérnia de disco. Em 11 de julho de 2024, a Vara de Execuções Criminais de Porto Alegre autorizou que ele cumprisse 30 dias de prisão domiciliar humanitária, sob o argumento de que a Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas não tinha condições adequadas para o período de recuperação.

No entanto, em 22 de julho, poucos dias após deixar o presídio, o monitoramento eletrônico foi rompido. O último sinal da tornozeleira foi registrado na cidade de Esteio, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Três dias depois, a Justiça determinou o retorno dele ao regime fechado.

Mentor de plano de fuga

Benhur é apontado como mentor de um plano de fuga coletiva no Presídio Central de Porto Alegre, em 2017. Ele seria o idealizador e financiador da escavação de um túnel que permitiria a fuga de mais de mil detentos.

A operação policial que descobriu o esquema identificou que o projeto custou cerca de R$ 1 milhão. O dinheiro teria sido utilizado para comprar um imóvel próximo ao presídio e pagar trabalhadores responsáveis pela escavação, conhecidos com "tatus".

Os escavadores recebiam cerca de R$ 1 mil por semana, além de moradia e transporte. Para evitar suspeitas, a terra retirada era armazenada dentro da própria casa usada como base.

No momento em que o plano foi descoberto, o túnel já tinha cerca de 47 metros de extensão e contava até com equipamentos portáteis de ar-condicionado. Faltavam aproximadamente 40 metros para alcançar o pavilhão onde estavam os presos. Apenas por esse crime, Benhur foi condenado a 37 anos e oito meses de prisão.

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