Polícia
A investigação que resultou na operação da Polícia Civil, que teve Vivi Noronha, mulher de MC Poze do Rodo, como alvo nesta terça-feira (3), descobriu que um homem procurado pelo FBI e apontado como operador do grupo terrorista Al-Qaeda lavou dinheiro para o Comando Vermelho (CV).
Segundo a polícia, Mohamed Ahmed Elsayed Ahmed Ibrahim possui um histórico relevante no sistema financeiro informal vinculado ao CV. O egípcio seria um dos suspeitos que atuam em um esquema baseado em empresas, eventos e restaurantes de fachada.
O homem também é procurado pela polícia federal dos Estados Unidos, o FBI, por supostamente atuar como operador financeiro da Al-Qaeda, organização terrorista islamista fundada por Osama bin Laden no fim dos anos 1980.
O nome de Mohamed foi retirado da lista de foragidos do FBI em 2019, após ser interrogado em São Paulo por agentes americanos. Na ocasião, ele afirmou que não era terrorista. "Isso tudo está acontecendo porque, no Egito, eu era membro de um partido político que foi criminalizado”, afirmou em entrevista à revista Época.
Operação
A megaoperação visa desarticular o núcleo financeiro do Comando Vermelho, responsável pela lavagem de mais de R$ 250 milhões. De acordo com as investigações, os valores são oriundos do tráfico de drogas e da aquisição de armamentos de uso restrito. Os agentes cumprem mandados de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo.
A ação inclui ainda ordens de bloqueio e de indisponibilidade de bens e valores em 35 contas bancárias. Segundo a polícia, o esquema utilizava pessoas físicas e jurídicas para dissimular a origem ilícita dos recursos, promovendo o reinvestimento em fuzis, cocaína e na consolidação do poder territorial da facção em diversas comunidades.
Vivi Noronha, esposa de MC Poze do Rodo, seria beneficiária direta dos recursos lavados pelo CV. A investigação aponta que o dinheiro foi transferido para contas bancárias ligadas a ela e à empresa dela, que se tornaram um dos focos centrais do inquérito. Sua posição na facção, no entanto, seria simbólica, representando “o elo entre o tráfico e o universo do consumo digital”.
O esquema era operado pelo traficante Fhillip da Silva Gregório, o Professor, morto no último domingo (1º) com pelo menos um disparo na cabeça. Ele estava foragido da Justiça desde que fugiu do sistema prisional em 2018 e vivia escondido no Complexo do Alemão.
Segundo a Polícia Civil, a principal hipótese é de que o traficante tenha cometido suicídio, já que ele apresentava apenas um tiro, na têmpora.
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