Polícia

Vale-alimentação: Prefeitura é alvo de operação que investiga fraude de R$ 437 milhões

Agente da PCGO durante diligências da Operação Face Card. Foto: Divulgação/MJSP
Operação Fake Card investiga irregularidades em cartões destinados a servidores públicos em diversos estados brasileiros.  |   Bnews - Divulgação Agente da PCGO durante diligências da Operação Face Card. Foto: Divulgação/MJSP

Publicado em 24/09/2026, às 08h21 - Atualizado às 10h16   Samuel de Jesus



A Prefeitura de Barro Alto, em Goiás, é alvo de uma investigação da Polícia Civil de Goiás que apura uma suposta fraude envolvendo cartões de vale-alimentação e vale-refeição destinados a servidores públicos municipais. Segundo a polícia, a empresa responsável pela administração dos cartões movimentou aproximadamente R$ 437,8 milhões, e foram identificadas ocorrências relacionadas ao caso em 52 municípios de dez estados.

A operação, batizada de Fake Card, foi deflagrada nesta quarta-feira (23) pelo Grupo de Repressão a Estelionatos e Outras Fraudes (Gref/Deic), com apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, e da Polícia Civil de São Paulo.

As investigações começaram após comerciantes de Barro Alto relatarem que deixaram de receber os valores referentes às compras realizadas com os cartões. De acordo com as autoridades, os municípios continuavam repassando normalmente os recursos à empresa administradora, mas os pagamentos aos estabelecimentos teriam sido interrompidos.

A polícia identificou que, entre agosto e novembro de 2025, período em que a empresa enfrentava dificuldades financeiras, foram registrados R$ 27,3 milhões em créditos, seguidos de transferências para contas bancárias dos investigados. Durante as apurações, também foram identificadas movimentações por meio de outras empresas e contas pessoais, que podem caracterizar possível ocultação e dissimulação de recursos.

A Justiça autorizou três prisões temporárias, seis mandados de busca e apreensão, bloqueio de valores, indisponibilidade de bens e quebra dos sigilos bancário e fiscal. As medidas foram cumpridas nos estados de Goiás e São Paulo. Cerca de 40 policiais participaram da operação.

Ainda foram apreendidos e colocados à disposição da Justiça seis imóveis, veículos e outros ativos pertencentes aos investigados.

A investigação continua para identificar outros possíveis integrantes do esquema e dimensionar os prejuízos causados às administrações públicas, aos comerciantes e aos beneficiários dos cartões.

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