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Vídeo mostra casa de rodoviário destruída após ele ser apontado como suspeito no caso Thamiris; polícia descartou envolvimento

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Após comentários em redes sociais, rodoviário se tornou alvo de ataques de vizinhos  |   Bnews - Divulgação BNews
Redação BNews

por Redação BNews

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Publicado em 20/03/2026, às 09h15 - Atualizado às 09h15



Um vídeo gravado pela equipe do BNews mostra o estado em que ficou a casa do rodoviário André Eduardo, vizinho da adolescente Thamiris dos Santos Pereira, de 14 anos, após ele ter sido apontado, de forma equivocada, como suspeito do crime. Desde quinta-feira (19), quando a Polícia Civil descartou a participação dele no caso, o homem não foi mais localizado.

André passou a ser alvo de acusações nas redes sociais após comentar em fotos de um perfil atribuído à adolescente. Com a repercussão, o perfil dele foi invadido por um suposto hacker, que expôs mensagens que teriam sido enviadas pelo rodoviário.

Nos conteúdos compartilhados, André teria interagido em publicações de diferentes mulheres. A exposição gerou revolta entre moradores do bairro, que chegaram a apedrejar a casa dele e tentar incendiar o imóvel. A situação foi controlada por equipes policiais.

Envolvimento descartado

A suspeita sobre o envolvimento do homem ganhou força após a exibição de imagens de câmeras de segurança em programas de televisão. Nos registros, feitos antes do desaparecimento de Thamiris, a adolescente aparece olhando em direção a uma casa verde, posteriormente identificada como sendo a residência de André.

No entanto, o diretor do Departamento de Polícia Metropolitana (Depom), delegado Moisés Damasceno, descartou qualquer relação do rodoviário com o crime.

"Ela só passou na casa dele. Ela não entrou e seguiu direto. As câmeras foram verificadas por um período bem longo, mas ela não voltou para a casa dele. Ela foi para o outro lado. Então, não sei por que estão associando esse rodoviário ao crime", disse.

Desde então, o paradeiro de André Eduardo é desconhecido. Ele não responde a mensagens nem a ligações. Em suas redes sociais, o rodoviário se apresenta como cristão e costuma compartilhar fotos com familiares e do trabalho. À imprensa, ele negou qualquer participação no caso.

"Está muito arriscada essa forma da população de querer agir por violência, por vingança, eles têm que deixar que é o Estado que faça essa investigação", declarou o delegado Damasceno.

'A imagem dele foi destruída'

Em entrevista ao apresentador Zé Eduardo, no programa Giro Baiana - 1ª edição, na Rádio Baiana FM (89.3), o supervisor da Integra e amigo do rodoviário André Eduardo, Dom Gonzaga, afirmou estar preocupado com o estado emocional do trabalhador após ele ter sido exposto como principal suspeito do caso em programas de televisão.

Segundo Dom, a situação afetou diretamente a família. A mãe de André, uma idosa, passou mal ao tomar conhecimento das acusações e também teria sido alvo de ameaças, após ser apontada como cúmplice.

"Nunca defendi erro. O que eu disse desde o início é que ninguém pode ser apontado como culpado sem provas, principalmente quando se trata de um trabalhador, um pai de família. Uma acusação feita ao vivo pode destruir a vida de uma pessoa", afirmou.

O supervisor também criticou a forma como o caso foi tratado publicamente. "Quando a comunicação perde a responsabilidade, deixa de informar e passa a colocar pessoas em risco. Não se pode confundir microfone com martelo de juiz", completou.

Ainda de acordo com ele, a família não se sente mais segura para permanecer no bairro, e o futuro profissional de André é incerto.

"Eu não sei se ele volta a trabalhar, pois a imagem dele foi destruída. Ele está de férias, mas acho difícil ele seguir a carreira como rodoviário. Além de ter a família destruída, a profissão também foi acabada", finalizou.

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