Política

Lauro: greve continua e secretário promete resolução para segundo semestre

Publicado em 24/05/2015, às 10h45   Juliana Nobre (Twitter: @julianafrnobre)



A greve dos professores da rede municipal de Lauro de Freitas completa oito dias nesta segunda-feira (25). Os trabalhadores cobram reajuste salarial de 13,1%, contratação de mais profissionais, resolução de processos administrativos e melhorias na estrutura das escolas. Há um mês no cargo, o secretário de educação, Marcelo Abreu, já tenta resolver os problemas, mas só garantiu-os para o segundo semestre deste ano.

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Para ele, não há necessidade de uma greve no município, já que os trabalhadores recebem salário acima do piso nacional. Desde o mês de fevereiro, docentes de escolas públicas com 40 horas de trabalho semanais passaram a receber R$ 1.917,78. O aumento foi de 13,01%.  No entanto, de acordo com a pasta, os professores de Lauro de Freitas recebem R$ 3.928,44. Houve também a redução da carga horária: o professor com 40 horas semanais trabalha 24, para que passe o restante preparando conteúdo para as aulas.

Com a redução da carga horária, menos professores estão nas salas de aulas. A cobrança do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Lauro de Freitas (Asprof) é para a contratação de novos profissionais para suprir esse déficit. No entanto, Abreu apresenta números para contestar a reivindicação.

De acordo com o gestor são 399 salas de aulas com três turnos, totalizando 1.197. Cada sala tem em média 23 alunos, o que seria suficiente para suprir a necessidade dos 27.531 estudantes. No entanto, são 1.020 profissionais, sendo que apenas 750 estão em salas de aula. Os outros 270 cumprem atividades como diretores, vice-diretores e coordenadores pedagógicos à disposição da secretaria. Para atender a demanda, cada professor deveria assumir mais de três turnos. A categoria está preocupada com a situação dos estudantes que desde início do ano não estariam assistindo a todas as aulas por falta de docentes.

Outra preocupação da gestão municipal é com as despesas com a Educação. De acordo com Abreu, o gasto com a folha de pessoal dos professores significa 70,47% dos recursos arrecadados com pela prefeitura somando-se ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). O valor total arrecado em 2014 foi de quase R$ 135 milhões.

Para o gestor, a greve é para além de questões trabalhistas. “Não há motivação para uma greve, se os professores já recebem bem acima do piso nacional. Já nos comprometemos em fazer a readequação da rede no segundo semestre deste ano e estamos fazendo um levantamento disso. Estamos discutindo desde o dia 17 de abril e de repente os profissionais entram em greve sem ao menos tentarmos uma negociação. Será que a greve não tem outra motivação?”, questiona Abreu.

A reportagem tentou contanto com a direção da Asprof, mas até o fechamento desta matéria não teve retorno.

Matéria originalmente postada dia 23

Classificação Indicativa: Livre

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