Política
Publicado em 24/06/2015, às 08h34 Redação Bocão News (Twitter: @bocaonews)

O empresário Marcelo Bahia Odebrecht, presidente da maior empreiteira do País e preso pela Operação Erga Omnes, a mais nova etapa da Lava Jato, disse à Polícia Federal em depoimento de 18 de maio, em Brasília, que “desconhece qualquer ajuste voltado à prática de sobrepreço em contratos firmados pela Petrobras”. Segundo informações do Estadão, ele afirmou que o Grupo Odebrecht “nunca recebeu privilégios da administração pública direta e indireta, no que se incluem a Petrobras e suas subsidiárias”.
Marcelo Odebrecht declarou ainda que “não se recorda” de ter recebido solicitação da senadora Gleisi Hoffmann (PT/PR) para contribuição financeira à campanha da petista em 2010. Mas o empreiteiro fez uma ressalva: “Tal resposta não elimina a possibilidade de que tenha havido tal solicitação ao próprio declarante ou alguém ligado à Odebrecht”.
Marcelo Odebrecht disse, ainda, que “não se recorda” de ter recebido de Paulo Bernardo, marido de Gleisi e então ministro do Planejamento, fez pedido de doação à campanha da petista. A senadora é alvo de inquérito aberto por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da Procuradoria-Geral da República.
O alvo maior da Operação Erga Omnes disse que desempenha desde 2009 a função de diretor-presidente da Odebrecht S/A, holding que controla diversas outras empresas do grupo. Segundo o empreiteiro, antes de ir à PF naquele dia 18 de maio, providenciou "pesquisas acerca de doações à campanha de Gleisi Hoffmann na eleição de 2010, não tendo localizado nenhum registro”.
Marcelo Odebrecht afirmou que “no Grupo não havia uma única pessoa encarregada de concentrar as solicitações de doações de campanha, uma vez que são centenas de empresas que compõem a organização e estas detêm autonomia para decidir sobre essas doações, tendo cada uma delas uma ou mais pessoas responsáveis para tratar do tema”. Para a Lava Jato, delatores apontaram o nome do diretor de Relações Institucionais da construtora Alexandrino Alencar como responsável pelas doações.
O dono da Odebrecht declarou que “nunca tratou com Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, sobre contribuições financeiras à campanha de Gleisi Hoffmann, em 2010″.
Esclareceu que sua relação com Paulo Roberto Costa “limitava-se a questões afetas ao Conselho de Administração da Braskem, cuja presidência era ocupada pelo declarante, sendo que Paulo Roberto era o vice-presidente do Conselho (nomeado pela Petrobras)”.
Marcelo Odebrecht contou que ele e Costa compuseram o Conselho de Administração da Braskem durante cerca de três anos, de 2010 a 2012, “salvo engano”, disse, acompanhado dos advogados criminalistas Dora Cavalcanti, Conrado Donati e Maurício Roberto de Carvalho Ferro.
Publicada no dia 23 de junho de 2015, às 13h
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