A defesa do presidente da construtora Odebrecht, Marcelo Odebrecht, disse ao juiz Sergio Moro, responsável pelos processos do petrolão em Curitiba (PR), que a revelação da mensagem "destruir e-mail sondas" se assemelha a um "flagrante preparado" com o intuito de tumultuar o processo e criar um argumento para justificar a prisão do empresário. Segundo a revista Veja, o bilhete foi manuscrito por Marcelo Odebrecht e entregue a seus advogados, depois que ele foi detido na última sexta-feira na 14ª fase da Lava Jato.
A manifestação da defesa foi encaminhada ao juiz de forma confidencial após os advogados terem sido questionados sobre a expressão contida no bilhete. Na versão da Polícia Federal, a mensagem pode ser um indício de que o executivo tenha ordenado a destruição de provas na empresa.
"As anotações não continham o mais remoto comando para que provas fossem destruídas e que, à toda evidência, a palavra destruir fora empregada no sentido de desconstruir, rebater, infirmar a interpretação equivocada que foi feita sobre o conteúdo do e-mail", disse o ofício assinado pela advogada Dora Cavalcanti.
De acordo com ela, "abaixo das palavras 'destruir e-mail sondas' estão registrados os argumentos e fatos que deveriam ser invocados para elucidar o teor do dito e-mail apresentado como comprometedor" e, por isso, a palavra destruir teria o sentido de rebater os argumentos e construir uma tese de defesa sobre as suspeitas de irregularidades envolvendo contratos de sondas e a Petrobras.
"Por óbvio não faria sentido algum destruir mensagem que, ademais de apreendida pela Polícia Federal desde a Operação Juízo Final (7ª fase da Lava Jato) e já analisada na representação que fez eclodir a Erga Omnes (14ª fase da Lava jato)", diz a defensora.
Ao site de VEJA, Dora Cavalcanti disse ainda acreditar que a vazamento da mensagem de Marcelo Odebrecht pode ser uma "armação" para tentar incriminar o empreiteiro. "Há uma percepção de que a prisão de Marcelo não se sustenta. Houve uma interpretação torta e maldosa, uma leitura enviesada. Não faz sentido a Polícia entregar à defesa um bilhete que poderia ser uma prova e também não faz sentido haver uma suposta ordem para destruir um e-mail já apreendido pelos policiais".
Fonte: Revista Veja