A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (13), a 18ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Pixuleco II. De acordo com a revista Veja, 70 agentes cumprem 11 mandados em Brasília, Porto Alegre e São Paulo, sendo um de prisão temporária e 10 de busca e apreensão.Um dos presos na operação foi Alexandre Corrêa de Oliveira Romano, ex-vereador de Americana (SP) pelo PT, entre os anos de 2001 e 2004.
A Pixuleco II mira os negócios de um novo operador, Romano, identificado pela força-tarefa a partir de informações obtidas na operação anterior, a Pixuleco. Segundo a Polícia Federal, ele arrecadou mais de R$ 50 milhões em propina a partir de contratos de empréstimos consignados no Ministério do Planejamento. Os pagamentos de vantagens ilícitas se davam por meio de empresas de fachada.
Conforme a publicação, o esquema desarticulado nesta quinta funcionou até o mês passado - mais de um ano depois do início da operação. Segundo os investigadores, a fraude "transbordou suas fronteiras" e atinge também o Ministério do Planejamento.De acordo com o procurador federal Roberson Pozzobon, o lobista Milton Pascowitch, que fechou acordo de delação premiada, afirmou aos investigadores que "represava" o dinheiro recebido das empresas que pagavam propina no petrolão para "abrir as comportas" a João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, no esquema em vigor no Planejamento. "Portanto, a ligação entre os casos é visceral", explicou.
Preso nesta manhã, o ex-vereador petista Alexandre Romano é apontado como o operador que antecedeu Pascowitch no esquema. Ele continuou a receber dinheiro mesmo com a chegada do lobista. "Ao contrário da situação das nossas represas, a quantidade de propina movimentada está bem longe do volume morto", afirmou Pozzobon.
O esquema criminoso teve início em meados de 2010.As suspeitas sobre os desvios surgiram na 17ª etapa da Lava Jato, intitulada Pixuleco, e envolvem empresas do grupo Consist, que fechou contratos com o Planejamento para operar o software que faz pagamentos de empréstimos consignados a servidores federais. Por meio da emissão de notas fiscais falsificadas, as empresas desviavam dinheiro público. Já foram comprovados até o momento, segundo a PF, desvios superiores a 52 milhões de reais - 20% desse valor foi repassado à empresa Jamp, de Pascowitch, e então destinados a Vaccari.