
O presidente da Câmara, deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse, nesta sexta-feira (14), que será muito difícil levar adiante o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Em entrevista ao jornal Valor Econômico, ressaltou que o processo não pode considerar a interrupção de um mandato por irregularidades praticadas no mandato anterior.
Ainda na entrevista, Cunha destacou que o impeachment deve ser tratado de forma técnica e não pode ser visto como um "recurso eleitoral" ou um instrumento para retirar do poder um governo impolular. "Não se viu até agora nenhum comportamento meu imaturo em relação a isso", afirmou ao jornal.
O presidente Cunha disse também que sua decisão de pedir aos autores dos 12 pedidos de impeachment que tramitam para corrigirem os requerimentos teve como objetivo evitar que sucessivos recursos fossem apresentados em caso de arquivamento. Ele contou que já rejeitou quatro pedidos que não atenderam às exigências regimentais, e agora avaliará a fundamentação jurídica do demais.
"Vou estudar [os pareceres sobre impeachment] com muita calma e muita cautela e só com base técnica." O presidente da Câmara considerou negativa a expectativa criada na sociedade de que é possível "arrancar" um presidente que não está bem. "Pode gerar uma frustração, é preciso ter cautela. Eu nunca fui adepto de incendiar.", disse ao Valor.
*Nota atualizada às 15h40