Política

Geddel defende saída de Cunha da Câmara e do PMDB se denúncias forem provadas

Publicado em 26/08/2015, às 11h30   Marivaldo Filho (Twitter: @marivaldofilho)



A situação do presidente da Câmara Federal, deputado Eduardo Cunha (PMDB), está cada vez mais complicada. Após o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciar no Supremo Tribunal Federal (STF) por ter, supostamente, recebido propina no esquema de corrupção da Petrobras, o ex-ministro da Integração e presidente do PMDB baiano, Geddel Viera Lima, resolveu falar.
O cacique peemedebista defendeu o direito de defesa de Cunha, a necessidade de comprovação das denúncias e foi incisivo quando disse que, se as provas forem encontradas, o presidente do Legislativo federal deve ser afastado não só da Câmara como também do PMDB.
“Não podemos esquecer que as denúncias partiram da delação premiada de Júlio Camargo. Não estou aqui para defender Eduardo Cunha. Mas todo mundo é passível de acusação. Tem que ter provas. Se no final das contas, for demonstrado que ele é culpado, ele tem que ser afastado do cargo e do partido”, afirmou Geddel Vieira Lima.
O peemedebista baiano, que recentemente viajou para Brasília, relatou um certo “clima de constrangimento” no Congresso Nacional.
“Não vi sinais, ainda, de isolamento de Cunha. O que percebo claramente é que há um clima de constrangimento. Mas há, também, a expectativa de que isso tem que ser provado. Em nenhum instante, há uma prova clara de que ele recebeu dinheiro. A palavra de um delator é algo significativo? É. Mas é preciso de uma prova mais clara. É preciso aprofundar para que não fique apenas a palavra do delator”, argumentou Geddel.
Acusação
Eduardo Cunha foi denunciado sob a acusação de ter recebido, entre junho de 2006 e outubro de 2012, pelo menos US$ 5 milhões para viabilizar a contratação de dois navios-sonda para a Petrobras.
De acordo com a denúncia, a Samsung, empresa responsável pelo fornecimento dos navios-sonda, destinados à exploração de petróleo, pagou US$ 40 milhões para o ex-consultor Júlio Camargo, apontado como um dos intermediários da propina recebida pelo esquema e que fez acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal.
Segundo relato da delação premiada de Camargo, Cunha disse não ter nada de pessoal contra ele, mas que era necessária uma solução para a retomada dos pagamentos da propina. De acordo com a denúncia, depois dessa reunião, os pagamentos teriam sido retomados.
A denúncia apresentada não esgota a investigação em relação ao presidente da Câmara. Outra parte da investigação – a que se refere à suposta entrega de dinheiro a aliados de Cunha – ainda continuará em apuração em inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal.

Publicada às 20h do dia 25 de agosto

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