Política

Os ditos e a voz dos Beneditos

Publicado em 14/07/2012, às 14h36   Priscilla Toledo



Tempos de eleição. Cenário no mínimo curioso entre educadores pechinchando um aumento de salário e governantes “às avessas” de um acordo, mas mandando recados.  Está declarado o desinteresse do governo pela educação baiana.  Há mais de 90 dias rasgaram os cadernos e quebraram os lápis do povo! Tudo está como “dantes, no quartel de Abrantes", em que se conserva o entulho autoritário da ditadura.

Se “a voz do povo é a voz de Deus”, a ação cidadã de pagar impostos é comercialmente similar a de comprar serviços, e, por não recebermos o que foi pago, a ação foge de nosso direito constitucional: a educação, direito de todos e dever do Estado e da família, não é isso?

Um povo sem educação não pode escolher um bom governante. Logo, um povo manipulado que não pode acreditar no que pensa e sequer lutar pelo que deseja. É como se a boca fosse tapada na hora de se falar “bom dia”.

O final de junho foi marcado por mais um retiro de personalidades políticas sedimentando o bloco do “quem pode mais chora menos”. Os baianos ainda vivem a espera de uma política diferenciada e que faça ”o bem sem olhar a quem”.  A verdade é que o cenário deste momento político carrega nos bastidores uma história, que, ainda recente, nos ajuda a entender a dimensão do caos político, administrativo e urbano em que estamos mergulhados: a história da sucessão da “farinha do mesmo saco” ou dos “ lobo em pele de cordeiro”.

A oposição e o governo transitam pela ética, dignidade e respeito ao cidadão  com tanta intimidade como se estivessem habituados às condutas indispensáveis para quem está na condição de representante do povo, seja qual o cargo a ocupar.
Há de se observar a incongruência que se instala nesse momento em que a fala desses políticos não corresponde à ação, porque o jogo político exige, além dos acordos e alianças, conquistar o eleitorado com vistas às próximas eleições.  E isso, pela indelicadeza dos “recados” vindos da parte do governo, os professores não entenderam e o povo não quis acreditar nessa “ deseducação”.

Governo e opositores disputam o espaço da confiança popular, no entanto, ficam “dourando a pílula” para enganar a população. Decepcionante!

Seria bom que, pelo menos por hora, essa governança que interpreta ser correta, deixasse de lado as mesquinharias e apresentasse propostas reais para os problemas que a Bahia precisa enfrentar e merece solucionar. Seria melhor ainda que o governo deixasse de lado os recados e trabalhasse mais e melhor em favor de uma educação de qualidade, digna desse povo que a colocou, um dia, onde ele está.

No Brasil, o ano eleitoral tende a pôr em cena duas perspectivas diversas: de um lado, as eleições adquirem um matiz obscuro, justificado pelo histórico e pela cultura de desconfiança, gerada nos eleitores que buscam boas intenções e a idoneidade dos políticos brasileiros. Por outro lado, as eleições podem expor feixes demasiadamente luminosos, tais como o alarde e o espetáculo que ronda uma campanha política, ofuscando as reais propostas de governo com promessas majestosas, quase milagrosas, anunciadas efusivamente em propagandas sensacionalistas.  

A confusão é grande e os dois lados semelhantes quase se fundem favorecendo a falta de padrão, a falta de opção. Não há o que escolher a não ser o  “em cima do muro”? Melhor não.

Nesse sentido, trevas e luminosidade estão em pontos extremos no tocante à política e o fio de esperança no futuro da Bahia não pode ser absolutamente perdido num labirinto. A  Educação precisa prevalecer à política cega.

Pior cego é aquele que não quer ver”! A Bahia precisa da esperança transitando por aí, nas salas de aula, nos pontos de ônibus, nas praças, nos saraus, nas vielas, nos palanques... A Educação não se cega na ilusão das fantásticas ou fantasiosas propagandas políticas.  Que haja opções políticas.

O “pomo da discórdia” ficou preso nos 90 dias passados.

Dentro de 90 dias que sejamos“salvos pelo gongo”.

Classificação Indicativa: Livre

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