Política

Marcha do Empoderamento Crespo toma as ruas do centro da cidade

Auto valorização do negro através da estética foi um dos objetivos do evento que reuniu centenas de jovens na tarde deste sábado

Publicado em 08/11/2015, às 08h52    Vagner Souza // Bocão News    Tamirys Machado (Twiter: @tamirysmachado7)

Buscar espaços de poder e respeito, fazer da estética uma luta política, se auto afirmar como negro e reconstruir uma identidade positiva da negritude na luta contra o racismo e discriminação foram as principais bandeiras da 1ª Marcha do Empoderamento Crespo, que aconteceu neste sábado (7) no Campo Grande. Várias vertentes de movimentos sociais, como o grupo Black Atitude, Os Negões, Enegrecer, Malé, entre outros participaram do evento organizado por dez mulheres de um grupo de transição capilar nas redes sociais.
Para Andreia Souza, uma das organizadoras do evento, o conceito de empoderar é uma forma de reparar. “Marchamos por reparação, empoderar é no sentido de ocupar espaços de poder. Essa reconstrução positiva da identidade negra como forma de ocupar espaços de poder e de acabar com o estigma que há sobre o corpo negro, de marginalidade, feiura e criminalização. Queremos empoderar o corpo negro”, explicou. 
Segundo ela, a ideia de enfatizar a questão da valorização do cabelo crespo parte do princípio de tornar o corpo negro valorizado e respeitado. “Partimos da estética porque entendemos que a estética dialoga com todas as outras pautas do movimento negro. O corpo negro é subalternizado e descriminalizado, logo, afirmar o corpo negro é torna-lo respeitado”, disse. 
Geração empoderada
É consenso entre a maioria das participantes do evento que a nova geração estão chegando com muito mais orgulho de ser negra que em outrora. Andreia Souza as classificou de “Geração Empoderada”.  “As Crianças empoderadas representam um novo momento social no país. Esse novo olhar das crianças que se assumem como negras, é fruto de gerações que nos antecederam e se colocaram contra o racismo desde o tempo da colônia, é fruto de uma luta constante”, pontuou Andreia. 
A ideia surgiu a partir da Marcha do Orgulho Crespo, realizada no mês de julho em São Paulo. Porém para Salvador foi feito algo diferenciado.  Centralizada nas redes sociais, a comissão de organização do evento reúne estudantes, militantes, acadêmicos e pessoas interessadas na temática, formando um grupo misto composto por 10 mulheres negras e 2 homens negros. Segundo os organizadores a luta é contínua e várias ações serão feitas ao longo do ano, em escolas, universidades, nas ruas e nas redes sociais. 
Políticos prestigiam o evento
Alguns políticos baianos prestigiaram o evento.  Apoiador da Marcha, o vereador Suíca (PT), defendeu a causa. “Venho dessa luta do movimento negro, então achei a ideia interessante que parte do olhar da juventude. É mais uma ferramenta contra a discriminação racial e fiquei muito feliz em apoiar”, disse. O vereador Gilmar Santiago (PT) também esteve presente. 
O PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) estava representado do provável pré-candidato do  partido à Prefeitura de Salvador, Fábio Nogueira. Ele destacou o protagonismo das mulheres negras em torno da questão da estética.  “O cabelo é o marcador racial no Brasil mais importante, inclusive, do que a cor da pele. A afirmação do cabelo afro rompe com a ideia hegemônica  tradicional sobre o “belo”  sempre associado ao padrão branco de beleza. Essa marcha realiza uma politização do cabelo” , disse o sociólogo. 

Publicada no dia 7 de novembro de 2015, ás 17h45

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