Política

Se crise persistir,'o povo' não defenderá o governo, diz Lula

Publicado em 16/02/2016, às 08h49   Redação Bocão News (@bocanews)



O ex­presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda­feira, 15, em reunião do conselho consultivo da presidência do PT, que o
governo tem até junho para mostrar sinais de recuperação da economia. Segundo relatos de participantes da reunião, Lula afirmou que
a partir do segundo semestre indicadores econômicos e sociais que avançaram durante sua gestão podem regredir aos índices do final do
governo Fernando Henrique Cardoso caso a economia não melhore, apagando o legado de seus oito anos no Planalto.

Siga o BNews no Google e receba as principais notícias no seu celular

Google News Bnews

“Aí não vai ter povo para defender”, disse Lula, de acordo com integrantes do conselho. Segundo relatos de conselheiros petistas, o ex­presidente pediu empenho do partido para pressionar governo e ministros no sentido de adotar medidas econômicas menos conservadoras e mais em sintonia com as demandas da base histórica do PT, contrária ao ajuste fiscal proposto pelo governo Dilma Rousseff.

Plano emergencial. Como parte da estratégia de pressão, o PT apresentou internamente um documento intitulado Plano Nacional de
Emergência, cujo objetivo é propor, paralelamente ao governo, sugestões para retomada imediata do crescimento econômico. O texto, que não foi divulgado para a imprensa, ainda será submetido do diretório nacional do partido, que se reúne no dia 26, no Rio de Janeiro. Entre seus autores está o economista Márcio Pochmann, professor da Unicamp e presidente da Fundação Perseu Abramo, o
braço intelectual do PT.

Em setembro do ano passado, Pochmann coordenou a elaboração do documento Por um Brasil Justo e Democrático, no qual faz críticas
ao ajuste econômico e propõe medidas como redução da taxa de juros, flexibilização das metas fiscais e mudança no cálculo da inflação.
Na reunião a portas fechadas do conselho, sobraram críticas à política econômica do governo Dilma, mesmo depois da substituição de
Joaquim Levy por Nelson Barbosa no Ministério da Fazenda, principalmente à proposta de reforma da Previdência que aumenta a idade
mínima para aposentadoria.

“Eu falei que sou contra (a reforma). O (sistema previdenciário do) setor privado, que é o que está em questão, é superavitário. Não
precisa de ajuste. É um erro do governo dar tanta ênfase à reforma da Previdência neste ambiente. Já reclamamos com o ministro
(Miguel) Rossetto (da Secretaria­Geral da Presidência)”, disse o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques.
Segundo eles, alguns participantes também se queixaram que a paralisia de obras públicas por causa do ajuste fiscal, o que tem sido alvo
de reclamação de muitos prefeitos do PT e de partidos aliados que vão disputar a reeleição ou tentar eleger seus sucessores nas disputas
municipais deste ano.

Em outro documento apresentado também na reunião desta segunda­feira e ainda sujeito a alterações, o presidente do PT, Rui Falcão,
também cobra urgência na adoção de medidas para retomar o crescimento.

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp


Cadastre-se na Newsletter do Bnews (Beta)