Política
Publicado em 20/03/2016, às 10h35 Luiz Fernando Lima (@bocaonews)

Uma das vozes mais inflamadas contra o juiz federal Sérgio Moro tem sido a de João Vicente Goulart. Filho do ex-presidente João Goulart, deposto pelos militares em 1964, João Vicente enxerga semelhanças entre os momentos históricos. Embora faça questão de concentrar nas diferenças, pois o tempo histórico é outro e a maioria dos elementos, segundo o filósofo de 58 anos, também é. Contudo, para ele, a orquestração de segmentos da imprensa permanece sendo um dos pontos de ligação entre 1964 e 2016.
Em conversa com a reportagem do Bocão News, em Brasília, logo após discursar para um público em torno de 50 mil pessoas - números dos organizadores - ou 6 mil - números da polícia militar - do ato em favor do governo na última sexta-feira (18), João Vicente defendeu o afastamento de juiz Sérgio Moro por estar contaminado. "Moro está servido como agente da desestabilização democrática. Um juiz que tem responsabilidade não faz e não divulga gravações ilegais num momento desse de profunda instabilização, de profunda divisão ideológica dos brasileiros.
Ainda sobre Moro, o filho de Jango afirma que apenas quando houver uma praça com mais de 100 mortos ele terá saciado o ímpeto atual. "Ele está agindo como nos seus artigos de 2004 como um verdadeiro facista, verdadeiro amante de Maquiavel. Ele vem repetindo que o príncipe isso, o príncipe aquilo. Casualmente ele tirou as suas camisas pretas, mas a atitude deste agente é tremendamente antipatriótica e, vou dizer mais, estas ações botam a segurança e estabilidade nacional em jogo".
Jango foi deposto por um golpe militar em 1964, João Vicente tinha então sete anos, mas relata que a sensação é terrivelmente semelhante. No que se refere às diferenças do contexto histórico, João Vicente destaca a ideologia comunista que na ocasião foi o argumento e que agora é o pré-sal. "Em 1964 nós tínhamos um argumento de golpe na divisão ideológica do mundo. Aproveitou-se esta divisão ideológica, em cima das reformas de base propostas pelo João Goulart e a direita levantou a tese do comunismo. Que não queria um Brasil comunista".
Sobre a semelhança, "hoje nós vivemos um momento bem diferente. Nós vivemos a crise política em função da entrega do pré-sal. O pré-sal é a grande questão desta luta política subterrânea. Nós temos em comum as ações encobertas. O espelhamento pode ser visto no exemplo da mídia. A mesma mídia que pregou o golpe ajudando a derrubar Jango e depois pediu desculpas em nome da democracia".
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