
Caso a Câmara dos Deputados se recuse a custear as passagens aéreas para viabilizar o depoimento do lobista Fernando Baiano no Conselho de Ética, o presidente do colegiado, José Carlos Araújo (PR-BA), afirmou nesta quarta-feira (20) que irá pagar do próprio bolso o valor das passagens aéreas de ida e volta de Baiano e do advogado, de acordo com informações publicadas pela Folha.
Está marcado para terça-feira (26) o depoimento de Baiano no processo de cassação do mandato do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Nesta terça (19), Cunha disse que seria desperdício de dinheiro público arcar com as despesas para a levar Baiano do Rio de Janeiro a Brasília porque considera que o lobista não tem nenhuma relação com o seu caso no Conselho de Ética.
Baiano firmou acordo de delação premiada com a força-tarefa da Lava Jato e, entre outras coisas, afirma ter entregue em escritório de Cunha dinheiro vivo desviado do esquema de corrupção da Petrobras. O presidente da Câmara responde a processo de cassação por ter negado a seus colegas a existência de contas no exterior. Segundo a Procuradoria-Geral da República, há fortes indícios de que essas contas tenham sido abastecidas por dinheiro desviado da Petrobras.
"Ele não pode usar o cargo de presidente da Câmara para determinar ao Conselho quem deve ou não ser ouvido. Issso é um absurdo. Se a Câmara não pagar, eu vou pagar do meu bolso e depois vou tentar o reembolso", disse Araújo ao jornal.
Nesta terça-feira (19), o vice-presidente da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), proferiu decisão limitando a investigação do Conselho à acusação de Cunha de ter mentido aos colegas. E deixou claro que irá anular qualquer prova ou depoimento que escape a esse tema. O relator do processo contra Cunha, Marcos Rogério (DEM-RO), afirmou que não irá mudar um mílimetro o seu plano de trabalho.