Política

Temer não quer novas eleições na Câmara dos Deputados

Publicado em 08/05/2016, às 15h00   Redação Bocão News (@bocaonews)



Com o receio de enfrentar de partida uma crise na base aliada, o vice-presidente Michel Temer decidiu não encampar neste momento movimento por uma nova eleição para a sucessão na Câmara dos Deputados e iniciará aproximação na semana que vem com o presidente Waldir Maranhão (PP-MA). Segundo a Folha de S. Paulo, emissários do peemedebista fizeram chegar ao parlamentar a disposição de um encontro entre os dois logo após a votação no Senado Federal da admissibilidade do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, marcada para quarta-feira (11).

No início da noite desta sexta-feira (6), Maranhão foi à casa do presidente da Câmara afastado, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), gesto visto como mais um passo para uma composição entre o deputado do PP e as forças políticas em torno de Temer. A equipe do vice-presidente reconhece a falta de estatura política e de preparo administrativo de Maranhão para comandar a Casa. Para ela, o ideal seria eleger um substituto para o parlamentar, mas a prioridade é manter uma base aliada ampla e unida, que consiga aprovar nos dois primeiros meses de um eventual governo interino um pacote de medidas econômicas.

Neste primeiro momento, o vice-presidente não irá interferir na questão e deixará a decisão nas mãos da Câmara dos Deputados. Nas palavras de um aliado do peemedebista, dessa forma, o ônus de uma decisão equivocada não recairia sobre ele.

Na segunda quinzena de junho o plenário da Câmara poderá fazer a votação definitiva sobre se cassa ou não o mandato de Cunha, alvo de processo no Conselho de Ética da Casa. Se o peemedebista perder o mandato, a Câmara tem que realizar novas eleições em até cinco sessões.

Na quinta-feira (5), logo após a decisão pela suspensão do mandato de Cunha, partidos de oposição, como PSDB e DEM, iniciaram movimentação por uma nova eleição, defendendo nos bastidores um nome tucano para o posto. O PMDB, maior partido da Câmara, reagiu à articulação. A maior parte da bancada peemedebista defende neste momento um mandato-tampão de Maranhão. Caso a Casa inicie movimentação por uma nova eleição, no entanto, a sigla reivindica que seja um nome do partido.

Para o grupo de Temer, uma crise neste momento na base aliada ou a realização de uma eleição para presidente poderia atrasar ou até mesmo inviabilizar a aprovação de propostas que serão sugeridas pelo vice-presidente caso Dilma seja afastada.

O diagnóstico é que, à frente do Palácio do Planalto, o peemedebista terá de apresentar como cartão de visitas mudanças efetivas e uma gestão superior à da petista nos primeiros dois meses de mandato, aproveitando uma espécie de "lua de mel" com o Congresso Nacional.

Publicada originalmente em 7/05 às 13h35

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