Política

Duda se oferece para delatar PMDB na Lava Jato, diz revista

Mesmo sem fechar uma delação, Duda espera, ao contar o que sabe, receber os benefícios dela

Publicado em 10/04/2017, às 11h27    Reprodução    Redação Bocão News

Há cerca de três semanas, o marqueteiro Duda Mendonça, com passagem rumorosa por campanhas do PT e do PMDB, foi chamado a depor na Polícia Federal em um inquérito que investiga irregularidades eleitorais. Duda falou e, na falta de chance de um desejado acordo formal de colaboração com o Ministério Público Federal, pediu que seu depoimento fosse considerado como uma colaboração. Em 2005, na CPI dos Correios, Duda confessou ter recebido no exterior US$ 5 milhões do PT, por seu trabalho na campanha presidencial de Lula em 2002. Foi absolvido pelo Supremo Tribunal Federal. Mas, agora, não quer correr o mesmo risco. Preferiu seguir os passos do ex-sócio e desafeto João Santana, cuja delação foi homologada na semana passada pelo ministro Edson Fachin. Desta vez, no entanto, entregou o PMDB, não o PT. Mesmo sem fechar uma delação, Duda espera, ao contar o que sabe, receber os benefícios dela – cabe ao Supremo Tribunal Federal decidir se ele merece alguma leniência.

De acordo coma  revista Época, Duda confirmou aos investigadores que recebeu da Odebrecht cerca de R$ 6 milhões, em dinheiro vivo, para bancar seu trabalho na campanha de Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), ao governo de São Paulo em 2014, pelo PMDB. O dinheiro veio em parcelas. Duda disse à PF que o próprio Skaf o avisou, em uma conversa pessoal, que a Odebrecht “resolveria” – ou seja, pagaria a dívida do PMDB por seus serviços. Duda revelou, ainda, que foi pressionado pelo PMDB a contratar, na campanha, uma produtora da família do deputado Baleia Rossi, líder do partido na Câmara.

O marqueteiro não esclareceu se alguém do PMDB, além de Skaf, o obrigou, na prática, a recorrer aos serviços da produtora ligada ao deputado. Duda preferia trabalhar com outra produtora, de sua confiança. Ao aquiescer ao pedido do PMDB, o marqueteiro exigiu que alguém bancasse integralmente as despesas com a produtora. Skaf, segundo Duda, disse que a Odebrecht também resolveria essa. O marqueteiro contratou a produtora da família do líder do PMDB e repassou R$ 4 milhões às contas dela.

Em seguida, disse Duda à PF, a Odebrecht cobriu seus gastos. Também em dinheiro vivo, também em parcelas entregues pessoalmente, também ilegalmente. Assim, Duda admitiu à polícia ter recebido cerca de R$ 10 milhões, em cash, da Odebrecht. Como Baleia Rossi tem foro privilegiado, o inquérito segue no Supremo. Em nota, a assessoria de Skaf afirma que todas as doações recebidas por sua campanha “estão devidamente registradas na Justiça Eleitoral, que aprovou sua prestação de contas sem qualquer reparo”. Procurado, Baleia Rossi afirmou que nunca esteve com Duda Mendonça e que Skaf tinha autonomia para definir sua equipe de comunicação. O sócio da Ilha Produção, Paulo Luciano Rossi, informou que foi convidado pelo próprio Skaf para fazer sua pré-

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