Política

Protagonista na Lava Lato, Odebrecht tenta mudar imagem com ‘compliance’

Publicado em 16/04/2017, às 08h06   Redação Bocão News



Com a marca mergulhada no maior escândalo de corrupção do País, a Odebrecht foi obrigada a rever suas regras de conformidade para tentar se manter viva no mercado. Desde a prisão de Marcelo Odebrecht, em meados de 2015, um batalhão de executivos foi recrutado para tentar mudar a cultura do grupo. Atualmente, 49 diretores trabalham na aplicação de uma série de regras para moralizar a empresa, cuja imagem ficou bastante arranhada no mercado. Até o fim do ano, serão 60 pessoas nessa área.
Segundo informações do Estadão, para bancar esse time, o grupo teve de aumentar em cinco vezes o orçamento da área de conformidade. Em 2015, esse setor consumia R$ 11,3 milhões dentro do grupo. No ano passado, dobrou para R$ 24,3 milhões e, neste ano, deve gastar R$ 64,8 milhões. “Isso não deve ser visto como um custo, mas como um investimento”, afirma a chefe de compliance da holding Odebrecht S/A, Olga Pontes. Antes do atual posto, a executiva trabalhava na Braskem, empresa do grupo Odebrecht.
Ela conta que, para formar o time de conformidade do grupo, contratou uma empresa de recrutamento internacional e que a disputa por uma vaga foi grande. “Para quem gosta do assunto, não existe melhor lugar no mundo para trabalhar neste momento.” A executiva conta que os profissionais vieram de empresas renomadas, como o escritório internacional de advocacia Norton Rose Fulbright, Oi, Telemar e Fibria.
Um dos contratados foi Nir Lander, que passou a comandar a área de compliance da Odebrecht Óleo e Gás. Ele conta que o sistema aplicado na empresa é baseado em três elos: prevenção, remediação e detecção. O objetivo é criar regras e explicitar o que pode e o que não pode ser feito numa relação com os parceiros da empresa. “Por exemplo, qual o valor e qual o limite para um brinde de fim de ano; quais as normas numa relação com o agente público”, destaca.
Nesse último caso, há uma série de maneiras e orientações que os funcionários devem seguir. Num almoço com um agente público, é preciso registrar o encontro, dizer quem vai participar e qual a pauta. “E cada um paga a sua conta”, diz Lander. Ele destaca que seu trabalho é fazer com que essas regras sejam efetivas. Para isso, uma série de treinamentos são feitos para que os trabalhadores conheçam o negócio e os dilemas éticos de cada segmento. “O objetivo é criar novas práticas para garantir o ‘fazer certo’”, diz Olga Pontes.

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp


Cadastre-se na Newsletter do Bnews (Beta)