Política

Estamos preparados para fazer frente a qualquer ameaça, diz general sobre posse

José Cruz/Agência Brasil
Já o futuro chefe do GSI afirmou que a decisão sobre o carro aberto ou fechado será do presidente eleito  |   Bnews - Divulgação José Cruz/Agência Brasil

Publicado em 30/12/2018, às 23h14   Reynaldo Turollo Jr. e Fábio Fabrini



A dois dias da posse do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), autoridades responsáveis pela cerimônia disseram haver indefinição quanto ao uso do carro aberto, o tradicional Rolls-Royce, ou carro fechado. O GSI (Gabinete de Segurança Institucional), responsável pelo evento, informou considerar que há ameaças reais à segurança de Bolsonaro, mas que está pronto para enfrentá-las.

 “A decisão do carro aberto ou fechado, que é uma coisa menor numa festa tão grande e bonita, será decidida pelo presidente da República”, disse o general Sergio Etchegoyen, atual chefe do GSI. Segundo ele, a definição virá no dia 1º, diante da vontade de Bolsonaro e das circunstâncias.

Já o futuro chefe do GSI, general Augusto Heleno, um dos principais conselheiros de Bolsonaro, afirmou que a decisão sobre o carro será do presidente eleito. “Critério Jair Messias Bolsonaro”, respondeu, ao ser questionado. “Não tem como a gente dizer.”

Etchegoyen minimizou a importância de como será o desfile. “As pessoas que vêm pra festa não estão preocupadas com os critérios de carro aberto ou carro fechado. A nossa responsabilidade é garantir que a vontade de 58 milhões de brasileiros se concretize”, disse.

Questionado sobre se houve aumento da segurança para a cerimônia, em comparação com as passadas, Etchegoyen disse que “o correto é dizer que o presidente eleito sofreu um atentado contra a vida dele”, e por isso as autoridades precisam ter cautela.

Sobre investigação da Polícia Federal sobre eventuais ameaças de atentados no dia da posse, o militar declarou que “o fundamento e a sustentação das ameaças vão estar no inquérito da Polícia Federal”.
“Nós não temos o direito de descartar nenhuma delas [das ameaças]. Nós estaremos preparados sempre para fazer frente a qualquer das ameaças. Todas as ameaças possíveis estão sendo prevenidas e serão neutralizadas.”

Etechegoyen e Heleno não quiseram dizer qual a expectativa de público para o evento, mas declararam que estão preparados para até 500 mil pessoas. Também não responderam se haverá militares à paisana e armados no meio da multidão. “Vocês têm que entender que ações de segurança e inteligência têm caráter sigiloso”, disse Heleno.

A equipe responsável pela cerimônia de posse realizou o segundo ensaio na Esplanada dos Ministérios na tarde deste domingo (30).

Diferentemente do primeiro, feito no domingo anterior (23), o dublê que interpretou Bolsonaro fez o trajeto da Catedral Metropolitana até o Congresso em carro fechado, e não no Rolls-Royce.

A Esplanada foi bloqueada com tapumes. Do lado de fora, algumas dezenas de eleitores de Bolsonaro erguiam bandeiras do Brasil e tentavam espiar pelas frestas da barreira.

"A segurança vai ser o ponto-chave do evento. Vai ser uma festa bonita, que vai mostrar como o Brasil se uniu para eleger esse presidente diferenciado", disse a militar Sandra Moreti, 37, que tentava ver o ensaio com o marido e a filha de um ano e sete meses. Todos vestiam camisetas amarelas.

Com a posse, hotéis de Brasília estão batendo recordes de procura. A taxa de ocupação média superava os 70% neste domingo (30), ante 20% no mesmo período do ano passado, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-DF). A expectativa é de que bata os 90% na segunda (31).

No hotel Athos Bulcão, 94% dos quartos já estão reservados para a véspera do evento. O esquema de segurança sem precedentes preparado pelo Palácio do Planalto envolveu os hotéis, que distribuíram material informativo orientando os hóspedes a identificar bombas em locais como aeroportos e banheiros.

Uma cartilha sobre o que pode e o que não pode ser levado para a Esplanada dos Ministérios era distribuída nas recepções. Não poderão entrar animais, bolsas, mochilas, garrafas, carrinhos de bebê e nem sombrinhas, apesar da previsão de chuva para terça.

A expectativa do Planalto é de que entre 250 mil e 500 mil pessoas compareçam à posse. Muitas se anteciparam e passaram o fim de semana fazendo turismo em Brasília, experiência que tinha um quê de frustração.

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