
Ainda em 2006, o recém eleito governador Jaques Wagner declarou, empolgado, que para vencer o pleito o apoio de prefeitos não era fundamental. Transcorridos cinco anos e uma reeleição o discurso mudou.
Atualmente, o PT de Wagner, orquestrado com os nove partidos que compõem a sua base, fazem uma verdadeira engenharia para trazer gestores para o bloco. São 277 prefeitos apoiando o governador. Para se ter uma ideia, em 2008, esta dezena de siglas elegeu modestos 166.
O resultado deste esforço conjunto e, segundo os próprios petistas, republicano, é uma base inflada e heterogênea. Toda ela, ainda de acordo com os aliados, alinhada com as diretrizes do programa político dos líderes majoritários: Wagner, Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva.
O “conselho político” da base aliada trabalha neste final de 2011 para desenhar a eleição do próximo ano. A tarefa tem tirado o sono de muito dirigente partidário e causado fissuras nas relações entre os novos parceiros da gestão pública estadual.


Siga o BNews no Google e receba as principais notícias no seu celular

Dentre as legendas deste campo político que mais “lucraram” com a migração de prefeitos, o destaque fica com o PDT. O partido presidido por Alexandre Brust elegeu apenas oito gestores na última eleição. Hoje, a sigla brizolista conta com 30 em seus quadros. O crescimento foi de mais de 270%.
O PP do ministro das Cidades, Mário Negromonte, saiu dos 36 para 53. PSB, PTB, PHS e o PCdoB perderam juntos nove. Dos quais, a maioria, continua trabalhando dentro da própria base. Este é outro processo que provocou ranhuras neste grupo instável.
O PSD merece um recorte específico neste cenário. A nova legenda criada como janela para os insatisfeitos dispostos a, no primeiro momento, gozar das benesses de ser governista, é dono do terceiro maior grupo político do estado em número de gestores. São, no levantamento do “conselho político”, 67.
Já o Partido dos Trabalhadores que iniciou 2008 como segundo colocado no quantitativo de prefeitos – ficou atrás à época do então parceiro PMDB – ganhou, coincidentemente, 13 novos administradores nestes últimos três anos. Agora, os petistas comandam 80 municípios baianos e têm a maior musculatura eleita do estado.

Oposição
Enquanto os lideres governistas caminham na corda bamba para minimizar os reflexos negativos das disputas do próximo pleito, a oposição se encarrega de juntar os cacos e se unificar a fim de projetar um futuro que remeta ao saudoso passado.
Nos tempos em que o interior era berço da política do antigo PFL, atual DEM, e que abraça o municipalismo do maior partido do país em número de representantes PMDB. Para se ter ideia do tamanho do desmanche deste campo político na Bahia, as duas siglas juntas perderam 60 gestores.
As duas legendas acumulam as maiores perdas entre os opositores. O PR do ex-senador César Borges, é a terceira. Os prefeitos de 24 municípios dos 44 comandados pela sigla optaram pela migração.
Ironia mesmo é o caso do PSDB. Se para os petistas o número 13, que representa a legenda nas urnas, veio a calhar – foi a quantidade de novos prefeitos que embarcaram no partido – para os tucanos o número causa tremedeira e foi justamente o mesmo número de gestores que deixou o partido no período de três anos.
Contudo, vale a ressalva, de que os 13 que saíram do PSDB não foram para o PT. A semelhança do número se restringe ao número e nada mais.

Eleições
Nos bastidores da política baiana e nas páginas de jornais e sites o que se percebe é que de um lado a oposição tenta reunir a tropa para mudar a tendência de expansão da base de Wagner. Para isso, muito cacique terá que deixar a vaidade de lado em benefício de uma sobrevivência política.
Do lado governista é um pouco diferente. Os lideres partidários buscam soluções dentro do “conselho político”. Eles estão fazendo reuniões semanais. O que se sabe é que os critérios já anunciados não estão agradando a todos.
Um deputado estadual da base, que preferiu não ter o nome publicado, afirmou que o esforço é necessário, mas que não acredita na união das forças nem nos resultados positivos desta empreitada.
“Até parece que do alto de uma sala empresarial de Salvador, um dúzia de presidentes vai decidir o destino político de lideranças tradicionais dos municípios baianos. Isto pode servir para casos bem específicos, mas na maioria dos lugares não será possível o entendimento através de decreto. Como é que eu vou chegar lá no interior e dizer: olha, nós decidimos que aqui o candidato é fulano e cicrano vai apoiá-lo. Não é bem assim que banda toca”.
Confira o quadro com a migração dos prefeitos entre 2008 e 2011.Clique aqui
Matéria publica dia 1º às 13h 38