Política

Orlando Silva é ovacionado em evento do PCdoB

Imagem  Orlando Silva é ovacionado em evento do PCdoB

Ex-ministro, chamado de “guerreiro”, disse que foi vítima da luta de classes no Brasil

Publicado em 06/11/2011, às 09h10        Daniel Pinto

Dirigentes e militantes do PCdoB Bahia se reuniram na manhã deste sábado (5), no auditório do Hotel Fiesta, em Salvador, para eleger presidentes dos diretórios municipais e estadual. O evento mobilizou comunistas de várias partes do Brasil, com destaque para o ex-ministro Orlando Silva, além de lideranças políticas de diversos partidos, a exemplo de PTB, PSB, PSD, PP e até mesmo PMDB, que atua como oposição ao governo Wagner.

A abertura ficou por conta do presidente regional da legenda, o deputado federal Daniel Almeida. Segundo previsão do “comandante” do PCdoB na Bahia, até o final do ano o partido terá representação nos 417 municípios do estado. Durante o discurso, ele comentou a crise vivida pelo sistema financeiro
mundial e destacou que a esquerda tem a responsabilidade de mostrar novos caminhos. Também saiu em defesa de Orlando Silva, que em diversos momentos foi ovacionado pelos “camaradas”. “Não vamos nos submeter a nenhuma calúnia”, bradou Daniel.


Em seguida, numa clara mensagem ao PT, o dirigente revelou que a agremiação pretende lançar candidaturas próprias em (pelo menos) 90 cidades e que precisará do apoio dos aliados para chegar à vitória. “Vai ser preciso aglutinar forças, mas esse número representa menos da metade das cidades baianas. Tenham certeza que apoiaremos com o mesmo afinco todos os partidos da base nas demais localidades”.

Durante o pronunciamento da vice-presidente do PCdoB nacional, Luciana Santos, houve outra manifestação de apoio ao ex-ministro dos Esportes, afastado do cargo após denúncias de corrupção envolvendo o Programa Segundo Tempo. Enquanto a militância gritava “Orlando, guerreiro do povo brasileiro... Orlando, guerreiro do povo brasileiro”, ele sorriu e distribuiu simpatia para a platéia. “Somos madeira de lei que cupim não rói”, arrematou a dirigente.


Luta de classes - O microfone foi passado para o ex-colaborador do governo Dilma. Ele disse que veio à terra natal recarregar as baterias e que já estava usando uma fitinha do Bonfim abençoada na Colina Sagrada. “Vivi um tsunami político, que só pude resistir graças a força do meu partido. A vantagem de ter sofrido isso tudo é para reafirmar alguns valores. Posso dizer com convicção que me batizei novamente comunista. Antes, em outros tempos, havia perseguição e assassinato. Hoje, a arma usada é o apedrejamento midiático. O que vivemos é uma verdadeira luta de classes”.  

Orlando Silva ainda teve tempo de elogiar as conquistas do governo Wagner e enaltecer a parceria com o PT. Mas, reforçou a tese de que o PCdoB quer o protagonismo em pontos estratégicos do estado. “Agora, terei mais tempo para me dedicar a política (...) Time que não joga, não forma torcida. Por isso, temos que ter candidatos a prefeito não só na Bahia como em todo o Brasil”.


Foi a vez do governador Jaques Wagner usar a palavra. Com a habilidade de que já foi ministro das Relações Institucionais, ele lembrou que seu primeiro contato com a política-partidária se deu em células do PCdoB quando ainda fazia faculdade no Rio de Janeiro. Depois, fez questão de enaltecer a instalação da Comissão da Verdade no Congresso Nacional. “Essa era uma espinha engasgada na democracia brasileira. Não devemos ter vergonha de contar a nossa história. Aqueles que se lançaram em frente aos tanques morreram em defesa da liberdade”.


Só então, o governador se sentiu à vontade para falar sobre disputa eleitoral, a principal zona de atrito entre PT e PCdoB na Bahia. “Devemos nos orgulhar da hegemonia que estabelecemos. Por isso mesmo peço a militância daqui que o legítimo direito do crescimento político não seja maior do que a nossa unidade. O embate em qualquer município não deve contaminar o nosso projeto maior, que é manter a hegemonia da esquerda. Faço esse pedido não vestindo a camisa do meu partido, mas a camisa de governador e da liderança que conduz um processo revolucionário no estado”.

Para completar a festa, Wagner também prestou solidariedade à Orlando Silva. “Devemos abraçar esse jovem. PT e PCdoB não são partidos de anjos. Podemos errar, mas com certeza vamos acertar mais do que erramos. O que não se poder fazer é uma imolação em praça pública sem nenhuma prova. Sei que isso não é gratuito. Isso é uma tentativa de demonizar PT e PCdoB. Mas, no final das contas vão ver que não somos partidos de ladrões e canalhas. Orlando, temos muito orgulho de tê-lo tido como ministro dos Esportes”.


Matéria públicada originalmente às 14h40, do dia 5 de novembro

Fotos: Gilberto Júnior/Bocão News

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