Política
Publicado em 08/03/2020, às 16h03 Marcio Smith
Desde suas fundações em 6 de maio de 1826, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal nunca tiveram uma mulher eleita como presidente. As instituições foram criadas em 25 de março de 1824 pela Constituição Brasileira de 1824.
Em 3 de maio de 1933, na eleição para a Assembleia Nacional Constituinte, pela primeira vez, em âmbito nacional, a mulher brasileira votou e foi votada. A luta pela conquista durou mais de 100 anos, visto que o início das discussões parlamentares em torno do tema começou em meados do século 19.
Desde seu início a Câmara já teve 54 legislaturas, já o Senado contou com 71. Tomando como partida a data da redemocratização, as Casas já tiveram 20 legislaturas.
O Congresso Nacional é composto por 594 parlamentares, 513 são deputados e 81 são senadores. Desse total, o resultado final após as eleições de 2018 deixava o Congresso com 90 mulheres e 504 homens, assim a presença feminina equivale a 15,15% do Legislativo brasileiro.
Câmara dos Deputados pós redemocratização:
-Rodrigo Maia (DEM): 2016-2021 [Assume após a prisão de Eduardo Cunha, está em sua segunda legislatura]
-Eduardo Cunha (MDB): 2015 - 2016 [Mandato interrompido por questões judiciais]
-Henrique Eduardo Alves (MDB): 2013 - 2014
-Marco Maia (PT): 2011 - 2012
-Michel Temer (MDB): 2009 - 2010
-Arlindo Chinaglia (PT): 2007 - 2009
-Aldo Rebelo (PCdoB): 2005 - 2007
-João Severino Cavalcanti (PP): 2005
-João Paulo Cunha (PT): 2003 - 2005
-Efraim de A. Morais (PFL, atual DEM): 2002 - 2003
-Aécio Neves (PSDB): 2001 - 2002
-Michel Temer (MDB): 1999 - 2001
-Michel Temer (MDB): 1997 - 1999
-Luís Eduardo (PFL, atual DEM): 1995 - 1997
-Inocêncio de Oliveira (PFL, atual DEM): 1993 - 1995
-Ibsen Pinheiro (MDB): 1991 - 1993
-Paes de Andrade (MDB): 1989 - 1991
-Ulysses Guimarães (MDB): 1987 - 1989
-Ulysses Guimarães (MDB): 1985 - 1987
Senado Federal pós redemocratização:
-Davi Alcolumbre (DEM): 2019-2021
-Eunício Oliveira (MDB): 2017-2018
-Renan Calheiros (MDB): 2015-2017
-José Sarney (MDB): 2009-2011
-José Sarney (MDB): 2001-2013
-Garibaldi Alves (MDB): 2007-2009
-Tião Vianna (PT): 2007
-Renan Calheiros (MDB): 2005-2007
-José Sarney (MDB): 2003-2005
-Ramez Tebet (MDB): 2001-2003
-Edison Lobão (MDB): 2001
-Jader Barbalho (MDB): 2001
-ACM (PFL, atual DEM): 1997-1999
-ACM (PFL, atual DEM): 1999-2001
-José Sarney (MDB): 1995-1997
-Humberto Lucena (MDB): 1993-1995
-Mauro Benevides (MDB): 1991-1993
-Nelson Carneiro (MDB): 1989-1991
-Humberto Lucena (MDB): 1987-1989
-José Fragelli (MDB): 1985-1987
O BNews conversou com o historiador, Carlos Zacarias, que atribuiu esse fato de uma mulher nunca ter comandado o Legislativo brasileiro a um "traço da sociedade brasileira" e comparou o caso local com o Parlamento cubano, no qual as mulheres ocupam mais de 50% das vagas.
"A presença de mulheres na política não reflete a presença de mulheres na sociedade, é infinitamente inferior. É uma demonstração que a política brasileira ainda é muito refratária a presença de mulheres Isso é uma demonstração que o patriarcado impera na política brasileira, nós, homens, temos que lamentar isso seja dessa forma e que os poucos passos que foram dados no sentido da construção da igualdade, estão ameaçados pelos traços de misoginia de quem ocupa o Planalto. O que a gente percebe é que os passos que nós damos para frentes são muito pequenos, mas quando é para trás, são menores", afirmou o historiador.
Zacarias ressaltou a situação de candidaturas laranjas femininas para cumprir a legislação e relembrou dos casos das postulações laranjas no PSL, como coligações à Câmara Federal em Pernambuco e a investigação de um possível laranjal comandado pelo ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, em Minas Gerais.
O historiador salientou a importância da participação feminina no cenário político nacional, "é bom lembrar que a manifestação mais importante de 2018 foi uma manifestação de mulheres, a passeata do #ELENÃO". Vale lembrar que a manifestação ocorreu em setembro de 2018 em repúdio ao na época, candidato a presidência, Jair Bolsonaro (sem partido), o movimento abarcou pautas como: Feminismo, luta contra o fascismo e racismo.
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