Política

Bolsonaro age como "líder de uma seita" que parece levar as pessoas ao "suicídio", diz Rui Costa

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Para o governador, um dos fortes opositores de Bolsonaro nos últimos tempos, o presidente da República capitaliza politicamente ao se omitir do enfrentamento à doença, enquanto prolifera ideias negacionistas

Publicado em 05/03/2021, às 13h26    Reprodução/Instagram    Luiz Felipe Fernandez

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), comparo o presidente Jair Bolsonaro a um "líder de uma seita" que, a partir das suas ações, conduz os seus seguidores, em muitos casos, "ao suicídio". 

"A impressão que tenho é que é uma seita [...]  que, às vezes, leva as pessoas ao suicídio e você se pergunta como aquela pessoa desequilibrada, que faz ilações absurdas, convencem elas. Essa é a realidade do Brasil hoje e ele age como o líder de uma seita", declarou o líder do Executivo baiano.

A analogia do petista surgiu em entrevista ao Diário do Centro do Mundo, em uma live transmitida nesta sexta-feira (5). Ele concordou que Bolsonaro parece gostar do "caos", intensificado no último ano pela pandemia de Covid-19, que na prática acentua a polarização no país.

Por repetidas vezes, lembrou Rui Costa, o presidente apareceu publicamente sem máscara de proteção e sem o devido distanciamento social, ignorando as recomendações das autoridades sanitárias e, até o momento, as únicas formas de evitar o contágio com o vírus Sars-Cov2.

Rui destaca que as atitudes de Bolsonaro são pensadas para provocar ainda mais essa divisão. Uma das estratégias utilizadas seria  disseminação de fake news, como no caso da "mamadeira de piroca", determinante no resultado da eleição de 2018. 

Ele citou um caso em 2020, durante a campanha de Major Denice (PT) à prefeitura de Salvador, quando a então candidata precisou desmentir uma jovem que disse ter ouvido na igreja que a policial militar era favorável ao "aborto". 

"Ele tem dito muitas bobagens, está comprovado as muitas mentiras nas redes sociais, como a história da mamadeira de piroca, absurdos que conseguiram congregar, infelizmente, uma parcela da sociedade", disse o governador, que reconhece que pessoas conversadoras e, por exemplo, evangélicos, acabam sendo mais suscetíveis a informações falsas com estes conteúdos.

Para o governador, um dos fortes opositores de Bolsonaro nos últimos tempos, o presidente da República capitaliza politicamente ao se omitir do enfrentamento à doença, enquanto prolifera seus ideais negacionistas.

"[...] se sumisse da agenda a questão da Covid, o povo ia começar a discutir o que o Brasil tem, como gerar emprego, porque está com a maior taxa de desemprego das últimas décadas, o preço do combustível está maior, não tem investimento em infraestrutura", argumenta Rui. 

"Como o governo é um vazio completo, ele não tem capacidade de falar nada sobre o programa de governo, ia demonstrar toda sua fragilidade", justifica.

IMPEACHMENT

Questionado sobre a possibilidade de um impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro, Rui disse que não vê grandes chances em um futuro próximo. Primeiro pela composição do Congresso atualmente, e depois pela impossibilidade das pessoas de irem às ruas manifestar.

"Do ponto de vista do parlamento, hoje as condições não são favoráveis [...] não podemos ter movimento de rua em função da pandemia, então acho pouco provável", reconheceu.

O petista reforçou que Bolsonaro faz mal ao povo brasileiro e consegue incentivar os seus seguidores a trazerem à tona os seus "piores valores".

"Infelizmente, o governo dele faz muito mal ao povo brasileiro. Tudo que está acontecendo, as mortes, o país está à deriva. Ele despertou em alguns seres humanos o que eles tem de pior, os piores valores. Tem gente na internet que brinca, ironiza a morte, a dor dos outros, faz pouco caso", afirmou.

A eleição de Bolsonaro, de acordo com o baiano, encorajou muitas pessoas que já pensavam como ele, mas tinham vergonha de expressar opiniões preconceituosas e reacionárias. 

"Ele fez com que as pessoas que até poderiam pensar assim mas tinha vergonha de revelar, falassem, ao ver o presidente falar com tanta desumanidade, eles se sentem à vontade", lamentou.

Mesmo sem crer em um impedimento nos próximos meses, o governador da Bahia admitiu que ainda confia que a sociedade consiga levar o Brasil de volta ao caminho "correto", como aconteceu nos Estados Unidos com a derrota de Trump e eleição de Joe Biden. 

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