Política

“Engrenagem da impunidade”

Imagem “Engrenagem da impunidade”

Dois deputados baianos estão entre os beneficiados pelas falhas do sistema judicial

Publicado em 02/03/2012, às 09h00        Daniel Pinto

O site Folha Transparência, mantido pelo Grupo Folha de S. Paulo, compilou uma série de documentos que revelam erros e omissões cometidas por diversos atores públicos em investigações e na apreciação de processos judiciais contra políticos. De acordo com o periódico, “inquéritos que tiveram políticos brasileiros como alvo nos últimos anos demoraram mais tempo do que o normal para chegar a uma conclusão, e processos abertos pelo Supremo Tribunal Federal contra eles se arrastam há mais de dez anos sem definição”.

O levantamento foi intitulado de “Engrenagem da impunidade” e mostra que, “além da grande quantidade de recursos prevista na legislação, os atrasos são provocados por falhas de juízes, procuradores e policiais”. A reportagem do Bocão News teve acesso ao Folha Transparência e constatou que entre os “beneficiados” estão os deputados federais Roberto Britto (PP) e Geraldo Simões (PT).

Contra o primeiro, que tem domicílio eleitoral em Jequié, consta um inquérito policial que foi aberto para investigar doação de lotes em troca de votos nas eleições municipais de 2000, quando ele disputou a prefeitura de sua cidade natal. A denúncia foi feita pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), que anexou à ação civil “fotos de kombi supostamente utilizada para fazer boca de urna em favor de Roberto Britto e para supostamente doar cestas básicas ao eleitorado de Jequié”. O processo está em andamento na pauta do Supremo Tribunal Federal e o relator é o ministro Carlos Ayres Britto.

Já o petista é alvo da ação penal nº 593 do STF, que teve início em 2005 e remete ao período em que ele era prefeito de Itabuna, no sul do estado. Geraldo Simões é acusado de se recusar a prestar informações ao Ministério Público sobre contratação de trabalhadores para o município. A promotoria alega que “o denunciado, através do Procurador-Geral, respondendo ao ofício do MP-BA, afirmou que não apresentaria as informações requisitadas, utilizando-se de argumentos falaciosos para justificar tal ato”. O caso está nas mãos do ministro O ministro Marco Aurélio Mello.

O Bocão News tentou, sem sucesso, ouvir os dois parlamentares.


Montagem: Bocão News

matéria originalmente postada no dia 1º/03/2012 às 17h12

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