Política

Deputados estaduais se preparam para depoimento de Alden no Conselho de Ética nesta quarta

Vagner Souza/Arquivo BNews

Parlamentar é alvo de processo no colegiado por acusar os colegas da oposição, sem provas, de receberem R$ 1,6 milhão da Prefeitura de Salvador

Publicado em 06/07/2021, às 19h21    Vagner Souza/Arquivo BNews    Léo Sousa e Pedro Vilas Boas

Os deputados estaduais, de Oposição e Governo, já traçaram suas estratégias para perguntar e ouvir o que Capitão Alden (PSL) tem a dizer em seu primeiro depoimento no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), marcado para acontecer nesta quarta-feira (6). O parlamentar é alvo de processo no colegiado por acusar os colegas da oposição, sem provas, de receberem R$ 1,6 milhão da Prefeitura de Salvador.

A sessão será realizada de maneira semipresencial, às 11h. Alden já entregou ao Conselho de Ética sua defesa escrita. A expectativa é que amanhã ele apresente oralmente a sua versão sobre o fato.

Ao BNews, o presidente do colegiado, Marquinho Viana (PSB), informou que o deputado foi notificado sobre a sessão, mas ainda não confirmou se comparecerá. "Se ele não for, os membros da comissão podem convocar [Alden] novamente para uma próxima sessão ou na próxima o relator já pode apresentar o relatório", explicou o parlamentar.

A expectativa de Viana é que o relatório sobre o processo seja apresentado pelo deputado Luciano Simões Filho (DEM) na próxima semana. “Aí, distribuo para os outros deputados lerem com calma em suas casas", disse.

Planejamento

Líder da bancada de Oposição e vice-presidente do Conselho de Ética, o deputado Sandro Régis (DEM) afirmou que planeja questionar o parlamentar sobre os fundamentos da acusação feita contra ele e os colegas de grupo.

“Vamos fazer nosso papel como membro do Conselho de Ética. Estou formulando minhas perguntas com meu advogado”, afirmou o democrata. 

Integrante da bancada governista, Bobô (PCdoB) garantiu que os membros do colegiado não têm mantido contato um com o outro sobre o processo contra Alden, para que cada um "tenha a sua concepção sobre o assunto".

"Estou na expectativa pra ouvir como ele vai nos convencer que foi um equívoco, como ele mesmo já disse [...] Ele tem o direito dele de defesa e se precisar de mais algum tempo, a gente vai dar também, até discutimos isso no conselho", disse o deputado.

Também da base de Rui Costa (PT), Zé Raimundo (PT) afirmou que o deputado bolsonarista levantou suspeita sobre os colegas de forma "inconsequente". "Naturalmente, criou um clima muito ruim dentro da AL-BA", avaliou.

A punição ao parlamentar do PSL pode ir de uma advertência até a cassação do mandato. "É claro que algum tipo de punição tem que ter e que se cumpra o papel do Conselho de Ética, que é de orientar. Não pode o parlamento ser o lugar da agressão, do ‘disse-me-disse’", afirmou Zé Raimundo.

O petista, no entanto, diz que espera o parecer do relator para formar a sua posição sobre o caso. "Eu sigo a orientação do meu partido, da defesa das instituições. Isso será um balizador, sempre, da minha leitura do parecer", acrescentou.

Compõem ainda o Conselho de Ética Euclides Fernandes (PDT), Fabíola Mansur (PSB) e Aderbal Caldas (PP) - este último em substituição ao correligionário Jurandy Oliveira.

Apesar de afirmar que ainda não está devidamente inteirado sobre o caso, Caldas não acredita que o ocorrido tenha sido grave. 

"Por enquanto eu não sei. Eu não gosto de me antecipar aleatoriamente, de opinar uma coisa que eu não estou devidamente inteirado [...] Não acho que o caso dele seja tão grave”, disse.

O caso

Em abril, o deputado Capitão Alden (PSL) fez uma transmissão ao vivo nas redes sociais, quando afirmou que os colegas da bancada de Oposição na AL-BA recebiam, cada um, R$ 1,6 milhão da Prefeitura de Salvador. 

“Eu fui eleito não foi pra ficar em casa, com medinho, sem denunciar nada. Se eu ficasse na minha, sem falar nada, eu tava feito na vida, recebendo 1,6 milhão da prefeitura, porque os deputados de oposição todos ganham R$ 1,6 milhão da prefeitura”, disse Alden.

Após a repercussão negativa do caso, o deputado bolsonarista se desculpou pelas redes sociais, durante uma sessão da Assembleia e ainda enviou uma retratação diretamente para a Prefeitura de Salvador.

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