Publicado em 06/06/2012, às 11h44 Redação Bocão News
Os últimos anos têm consolidado a homogeneização entre os campos políticos partidários no Brasil. Menos pelas prioridades administrativas e mais pelas práticas na condução dos processos internos. Seja via cooptação de desafetos históricos ou pela simples intervenção de grupos majoritários.
Recentemente houve a declaração de apoio do PSDB à pré-candidatura do deputado federal ACM Neto (DEM) passando por cima da opinião e interesse do diretório municipal de Salvador. A decisão veio da executiva nacional, numa costura envolvendo deputado federal Jutahy Magalhães e troca de interesses eleitorais em praças como São Paulo.
Em outra capital nordestina quem intervém é o PT nacional. O partido que dita as diretrizes do país negou legenda ao atual prefeito de Recife, João da Costa (PT), em uma decisão controversa. O gestor não pode migrar para outro partido porque já terminou o prazo legal para isso. Deste modo, João terá que assistir o senador Humberto Costa, seu correligionário, disputar o pleito.
João está no primeiro mandato e poderia tentar a reeleição. Se por um lado tucanos e petistas divergem no sentido de que o primeiro apoia um candidato de outro partido enquanto o segundo, outro da própria sigla. Em uma perspectiva diferente, as duas tradicionais legendas carregam semelhanças inegáveis na condução do rito partidário.
Abaixo segue a nota da executiva petista em Recife:
"Em reunião realizada hoje, 5 de junho de 2012, em São Paulo, a Comissão Executiva Nacional do PT, debatendo a questão da candidatura na cidade do Recife (PE), resolve:
1 - Reafirmar a anulação da prévia do dia 20 de maio, em virtude de irregularidades cometidas e por ter sido realizada em desacordo com orientações do diretório nacional;
2 - formalizar o cancelamento da prévia convocada para o dia 3 de junho por terem sido frustrada as tentativas de, nesta nova oportunidade, produzir a necessária unidade partidária para disputar e vencer as eleições no Recife;
3 - Emitir publicamente sua opinião política, só externadas em sucessivas reuniões aos companheiros João da Costa e Maurício Rands, de que o processo político no Recife, por eles conduzidos, se esgotou, e de que um terceiro nome para encabeçar nossa chapa é um imperativo para a vitória;
4 - Indicar ao conjunto do partido no Recife e aos partidos da frente popular o companheiro senador Humberto Costa, como a pré-candidatura que reúne as melhores condições para liderar nossa campanha pela continuidade e aprofundamento das conquistas democráticas e populares acumuladas na administração do Recife nos últimos 12 anos;
5 - Responsabilizar o diretório do Recife para, em conjunto com o Diretório Nacional, conduzir o processo eleitoral na cidade."
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