Mesmo diante dos escândalos de corrupção estampando todos os dias as capas dos principais portais, revistas e jornais do país, com a inflação batendo à porta de cada cidadão brasileiro e a crise econômica, social e moral sendo questionada, ou não, posso destacar o atual momento como singular. Mesmo diante dos desvios bilionários de recursos da Petrobras, da participação de medalhões da política, empreiteiros e figuras influentes nas diversas cortes do país, consigo destacar mais pontos positivos do que negativos em todo o processo.
Justifico a afirmativa ao ver os ilustres e "intocáveis" diretores da OAS, Camargo Corrêa, Mendes Júnior, Queiroz Galvão, UTC, Odebrecht, e tantas outras empreiteiras, sendo algemados e encarcerados: imagem emblemática. Vê-los em um presídio, com direito ao tradicional macacão laranja, por mais de 24 horas, também é um fato histórico. Mas histórica será a retirada do dinheiro desviado das contas dos “acusados”.
Posso destacar, ainda mais, a lista divulgada pelo ministro Teori Zavascki, onde políticos conhecidos de toda nação são supostamente investigados como beneficiários do esquema de desvio de recursos públicos, formação de quadrilha e outros crimes contra o patrimônio. Na verdade, não existe novidade alguma na participação de figuras, sobretudo os que aparecem na lista, em atos ilícitos, mas o interessante é ver que, aos trancos e barrancos, uma movimentação contra a onda está começando a se formar.
Óbvio que observo otimista os acontecimentos: uma hora isso teria de ocorrer. Não entro no mérito partidário de governança. José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco, FHC, Lula e, agora, Dilma. PT, PMDB, PSDB, DEM, PP e todos os demais... São todos iguais, com supostas ideologias diferentes. Embora transpareça certa euforia, não me engano, nem acho que a corrupção chegou ao fim. Não romantizo ao acreditar que teremos um país igualitário, justo, descente.
Levanto a bandeira do otimismo por observar que existe a remota possibilidade, mas existe, do cara pensar uma vez - que seja - antes de tentar fraudar, ou desviar. Utopia? Talvez sim. Não vou politizar. Não vou apontar os governos onde iniciou a roubalheira, nem vou polemizar. Vou acompanhar todos os passos dessas investigações para saber se vai dar em pizza, ou se, de fato, o colarinho será substituído por macacões laranja.
Alessandro Isabel* é jornalista e comunicólogo baiano