Nesta quarta-feira (12), o jornal A Tarde traz uma longa entrevista com o prefeito João Henrique, que quebrou o silêncio sobre a crise que afeta o município.
Mesmo o governador Jaques Wagner tendo afirmado em entrevista para Zé Eduardo, no Programa do Bocão, na rádio Sociedade, no finalzinho do ano passado, que "não paga para as contas da prefeitura", João Henrique insiste que precisa do apoio do governo do Estado.
O prefeito, que havia rompido relações com o Wagner nas eleições de 2008, disse que tem de “buscar neste momento o apoio necessário do governador”. Outro caminho apontado por ele para conseguir terminar bem a sua gestão, se isso é possível, é por Mário Negromonte, empossado como ministro das Cidades por Dilma Rousseff. Mas, apesar do caos visível, descarta a palavra crise em suas falas e prefere dizer que se trata de ajuste de contas.
Em outro momento, o chefe do Executivo atribuiu os problemas da capital baiana ao crescimento desordenado, decorrente do grande número de pessoas que vêm do interior em busca de emprego, tratamento de saúde e educação, atrelado à falta de planejamento ao longo dos anos.
Baixo nível - Ao ser questionado sobre as declarações do ex-ministro Geddel Vieira Lima, que apelidou João Henrique de “menino maluquinho” e a prefeitura de “manicômio”, o prefeito disse que o ex-parceiro baixou o nível das discussões.
“Foge ao nível do bom relacionamento, não é? Acho que aí baixou muito o nível. Não tem resposta, quem tem boca fala o que quer. Eu não costumo falar de pessoas. Gosto de falar sobre projetos para Salvador. Tenho pouco tempo, estou na metade do mandato e não sou candidato em 2012”.
Sobre as contas e os gastos maiores do que a receita, João Henrique explicou que a prefeitura, em alguns momentos, “precisou avançar nas despesas, para dar conta desse crescimento populacional”. De acordo com o IBGE, a cada ano chegam 60 mil novos habitantes em Salvador.
Em relação à falta de pagamento dos terceirizados, ele justificou os atrasos com o mau momento financeiro, herdado de outubro, quando se paga a última parcela do IPTU, e a redução do Fundo de Participação dos Municípios repassado pelo governo federal.
Segundo ele, “no tamanho da receita dividido por número de habitantes, fico em 25° lugar. Penúltimo”.
O prefeito destacou que os terceirizados que “incharam” a folha de pagamento são temporários, oriundos dos programas federais Projovem Urbano, Projovem Trabalhador e Educação de Jovens e Adultos. João Henrique disse ainda que estão tentando achar o equilíbrios das contas, com o novo secretário da Fazenda, Joaquim Bahia, para não deixar os trabalhadores sem salário no final do mês.