A audiência pública realizada na última quarta-feira (24) na Assembleia Legislativa da Bahia para debater os investimentos públicos na seca não trouxe nenhum avanço no que tange aos debates para refinar as ações do Estado e esclarecimentos, de acordo com o deputado estadual Carlos Gaban (DEM). Ele criticou o formato da audiência e afirmou que o governo montou uma “manobra” para impedir as críticas dos adversários, atitude que em sua opinião é corriqueira.
“A tática mais uma vez usada pelas lideranças do governo foi esvaziar a sessão para a gente não fazer os questionamentos. Estipula um tempo de duas horas e meia (para todo o evento) e na hora que falta meia hora para chegar ao final tem 20 deputados inscritos. Só nos questionamentos Sá extrapolaríamos o tempo e não daria tempo para o secretário responder”, reclamou o demista.
Gaban reparou que a “tática” impediu o secretário estadual da Casa Civil, Rui Costa, de falar sobre uma série de questionamentos, a exemplo de programas de beneficiamento de abastecimento de água e de demonstração de investimentos específicos da atual gestão. “Queria que ele dissesse uma barragem que eles iniciaram nesse governo, já que eles dizem que gastaram R$ 7,5 bi”.
O deputado chegou a dizer que o volume de gastos anunciado pelo governo é tamanho que, diante do “estado de desespero” que os prefeitos e lideranças do interior demonstram, algo deve estar errado com a aplicação destes recursos, o que demandaria uma investigação do Ministério Público Estadual e do Tribunal de Contas dos Municípios. Na última semana, uma outra audiência debateu a estiagem com a presença dos gestores e a presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB), Maria Quitéria.
“Sete bilhões e meio é mais do que o que foi gasto com a transposição para levar para todo o nordeste. Aqui na Bahia disse que investiu (esta verba) e seis anos e a Bahia está passando a seca que passa? Com centenas de municípios em calamidade pública, sem água párea consumo humano e ele diz que gastou isso? Se gastou, gastou mal e cabe uma investigação. Eu gostaria inclusive que ele (Rui Costa) mostrasse dados que comprovassem quem está com a verdade: ele ou o governador. O governador diz que foram R$ 4 bi. Ele diz que foram R$ 7,5 bi”, disparou.