Licitação ônibus: Wagner defende diminuir tom do debate político
Governador diz que outorga dos ônibus de Salvador não pode ser tirada do metrô |
Publicado em 17/07/2014, às 10h16 David Mendes (Twitter:@__davidmendes)
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Governador Wagner concedeu entrevista nesta quarta (16) na Governadoria
O governador Jaques Wagner (PT) defendeu “diminuir o tom do debate político”, após imbróglio com o principal articulador da chapa contrária ao seu governo e prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), sobre o processo licitatório do sistema de transporte público da capital baiana.
“[o debate político] vai acontecer no programa eleitoral e na eleição. Mandei uma carta técnica, porque, claro, a responsabilidade sobre o metrô é minha. (...) É óbvio que quando se faz uma licitação, toca-se em questões como o custo dessa integração. Se isso não está previsto, você pode estar querendo jogar para cima do metrô, leia-se, para o Estado, todo esse custo. Então, foi isso que chamei a atenção em uma carta dirigida”, explicou Wagner, nesta quarta-feira (16), durante visita do ministro-chefe da Aviação Civil, que anunciou investimentos em aeroportos regionais na Bahia.
Para o líder baiano, as discussões no campo político-partidário não seriam a melhor forma de tratar as “questões técnicas”. “O debate político eu vou fazer. Tenho o meu candidato a presidente, governador e senador, e o prefeito tem o dele. Mas nós estamos tratando de uma coisa essencial, de oxigênio para a população: a mobilidade urbana. Temos R$ 7 ou 8 bilhões em investimentos. E por que falo da Região Metropolitana? Porque o cidadão que vier de Candeias, Simões Filho vai descer em uma estação de metrô e quer ter a sua integração. As pessoas que circulam dentro Salvador vão estar com bilhete único, como é em qualquer lugar, porque não vamos imaginar a pessoa pagando duas vezes, mas para isso os dois sistemas têm que conversar”, defendeu.
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Apesar do tom conciliador, o governador voltou a criticar a consulta pública iniciada na última segunda (14) pela administração soteropolitana, que pretende entregar a concessão a três grupos que vão operar o sistema nos próximos 25 anos.
“Entendo como a forma que a concessão está sendo tocada não observou todos esses pontos. Nem quero entrar nesse mérito, porque não me diz respeito, mas evidente que acho estranho de o prefeito estar fazendo uma concessão de transporte público onerosa, ou seja, ele está esperando por quem paga mais para levar a concessão, enquanto eu e o governo federal estamos colocando muito dinheiro, o que é obrigatório, porque todos sabem que transporte público no mundo inteiro é subsidiado. A prefeitura está olhando para o transporte público como fonte de receita, mas isso é uma decisão política dele [ACM Neto]. Agora, essa fonte de receita não pode vir a ser cobrada do sistema metrô, sob qual tenho responsabilidade direta e que pago subsídio para o metrô rodar a preço razoável”, defendeu.
Sobre a possibilidade de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) prometida pela prefeitura de Salvador contra a criação da Entidade Metropolitana, Wagner afirmou que está pautado em Lei Federal e, caso a prefeitura se ausente dos trabalhos do colegiado, ficará sem voto. “Ele [ACM Neto] pode entrar com a inconstitucionalidade que quiser, mas Salvador foi posta nesse órgão com o mesmo número de votos do Estado. Portanto, as prefeituras somadas se sobrepõem ao Estado. O que tem que acontecer é sentar e chegar a um consenso", apostou.
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