Tucano critica manifestantes pró-impeachment de Dilma
Xico Graziano foi classificado como comunista ao dizer que a prática é antidemocrática | Reprodução
Publicado em 04/11/2014, às 17h28 Redação Bocão News (Twitter:@bocaonews)
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Os pedidos de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) vêm sendo pautados nas recentes manifestações realizadas nas principais praças do País. No entanto, não só os petistas e admiradores da presidente descartam a tentativa de derrubada. Isso, porque o tucano Xico Graziano, nome ligado ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, criticou, através de seu perfil no Facebook, os que pedem a saída da presidente Dilma Rousseff do governo.
"Quem concordar com as teses dessa turma aguerrida que vê o comunismo chegando, é contra os benefícios sociais, sonha com a ordem militar, por favor, deixem o PSDB", disse em sua postagem. Logo após seu posicionamento, Graziano foi alvo de uma enxurrada de críticas e xingamentos proferidos por tucanos usuários na rede social.
Lamentando a chuva de comentários ofensivos, Xico Graziano, que já foi deputado federal pelo PSDB e Chefe de Gabinete de FHC, fez uma nova postagem analisando o comportamento contrário, classificando como sendo de uma direita que se inspira, entre outros nomes, no deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ).
Leia o texto na íntegra:
“Mexi num vespeiro da política ao postar aqui, ontem, opinião contrária ao impeachment da Dilma. Julguei a causa antidemocrática, não republicana. Não gostei daqueles discursos irados, revanchistas e reacionários. Tomei um troco bravo. Recebi centenas de comentários, críticos a maioria, de baixo nível muitos deles. Vou aprofundar a polêmica. Sigam meu raciocínio.
Existe no Brasil uma ideologia própria da direita que se encontra desamparada do sistema representativo, quer dizer, sem partido político. Sua força se mostra na rede da internet. Essa corrente luta para destruir o PT, acusando-o de querer implantar o comunismo por aqui. Defendem as liberdades individuais, combatem tenazmente a corrupção organizada no poder, desprezam totalmente as lutas sociais, mostrando-se intolerante com o direito das minorias. O Deputado Bolsonaro e o ensaísta Olavo de Carvalho são seus expoentes.
Tudo bem. Acontece que, no período das eleições presidenciais, essa tendência se articula no seio do PSDB, trazendo para nosso partido suas causas. É normal existirem as alianças eleitorais, e para tal existe o segundo turno. O problema surge quando os militantes da direita exigem que nós, os sociais democratas, encampemos sua ideologia, o que seria um absurdo.
A intolerância mostrada em minha página do facebook reflete essa incompreensão. Criticam minha coerência, decepcionam-se com os meus valores imaginando que eu deveria assumir os deles. Pior, alguns tolamente me acusam de ser “petista infiltrado”. Dá até um pouco de dó.
Ora, nós, do PSDB, nascemos inspirados na socialdemocracia europeia, com viés da esquerda. Nossa origem reside no MDB autêntico, que foi decisivo na derrubada da ditadura militar. Nós fomos decisivos na Constituinte de 1988. Fomos nós, com FHC à frente, que criamos as bases socioeconômicas do Brasil atual, inclusive as políticas de transferência de renda e as cotas.
Na complexidade do mundo contemporâneo anda difícil rotular os partidos, e as pessoas, como de “direita” ou de “esquerda”, categorias válidas no século passado, mas ultrapassadas hoje em dia. De qualquer forma, quem concordar com as teses dessa turma aguerrida que vê o comunismo chegando, é contra os benefícios sociais, sonha com a ordem militar, por favor, deixem o PSDB. Vocês é que estão no lugar errado, não eu!"
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