A revista Época entrevistou o vice-presidente do Brasil, Michel Temer, na úlitma sexta-feira (7), na qual o pemedebista falou sobre a aliança do PT com o PMDB e sobre a relação atual entre estes dois partidos. Sobre isso, Temer afirmou que "
Michel Temer – Há um dado numérico. Fizemos sete governadores, e quase fizemos 11 – as vitórias dos adversários foram apertadas. O eleitorado brasileiro apoiou muito o PMDB. Temos a segunda maior bancada da Câmara, a maior do Senado, a presidência de ambas as casas, a Vice-Presidência da República. Não entendo esse discurso da hegemonia, acho que é uma disputa de funções no governo. Neste mandato, o PMDB teve cinco ministérios, vários cargos e atividades. Muitos criticam o PMDB, dizem que o partido só quer cargo. Mas nós somos governo, não somos aliados. Para o segundo mandato, as conversas com o PMDB, a partir das conversas comigo mesmo, têm se amiudado. O PMDB e os aliados terão um protagonismo grande.
Quando o assunto foram os ministérios de 2015, Temer se ateu a dizer que "não tratamos desse assunto ainda. Já estive duas vezes com a presidente Dilma desde a eleição, hoje (quinta-feira) inclusive, mas deixamos isso para o começo de dezembro. Claro que essa é uma tarefa da presidente. Ela naturalmente conversará com os partidos. A questão não são cargos, mas espaço político".
Questionado sobre a regulação da imprensa, Michel Temer disse ser a favor da liberdade, "mais absoluta liberdade da imprensa. Qualquer tipo de regulação que resvale para uma censura precisa ser repudiada e será repudiada pelo PMDB como partido. Sobre a regulação econômica, é preciso ver os termos. Confesso que não conheço o projeto. De qualquer forma, há um preceito constitucional que garante a iniciativa privada, a liberdade de iniciativa. Não sei como compatibilizar a regulação econômica das empresas com a liberdade constitucional da iniciativa privada. É preciso conhecer o projeto".
A Revista Época aproveitou para trazer à tona os personagens dos últimos escândalos envolvendo a Petrobras. Sobre o ex-diretor da estatal, Paulo Roberto Costa, Temer afirma que "encontrei-o uma vez em Brasília, mas só fui apresentado. Nunca tive nenhum contato pessoal com ele, nenhuma relação. Aliás, com nenhum diretor da Petrobras, com toda a franqueza. Minha atividade política, quando era deputado, não era conseguir emendas para municípios, valores não sei para quem. Sempre tive um voto mais ou menos de opinião".
Época - O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa disse em depoimento à Justiça que o PMDB levava recursos dos negócios fechados na Diretoria Internacional. O que o senhor tem a dizer sobre isso?
Temer – Institucionalmente, não veio nada para o PMDB. Não há essa coisa de verbas para o PMDB. As pessoas mencionadas querem que a investigação vá até o fim, precisamente para revelar sua inocência. A delação premiada é um elemento de acusação, é um indício, você precisa comprovar a delação. Temos de esperar o processo. Aí, novamente, doa a quem doer.
Já sobre o PMDB se comportar em alguns momentos mais como oposição do que como situação, o vice-presidente respondeu: "É que o partido é muito inquieto. Mas não há um projeto do governo que tenha sido derrotado, até a eleição, pelo PMDB. A derrota na questão dos conselhos populares (a Câmara aprovou um projeto que susta os efeitos de um decreto de Dilma, que criava novas instâncias de participação popular) foi depois da eleição. É um tema muito polêmico desde seu nascimento. Mas não é um projeto que afete a institucionalidade governamental. No mais, o importante é dialogar. É o que mais faço. Há queixas, mas não são dos 72 deputados. É de um grupo. Isso não me assusta e não assusta o governo".
Publicada no dia 9 de novembro de 2014, ás 15h28