Política
por Henrique Brinco
Publicado em 08/04/2026, às 15h43 - Atualizado às 16h05
A Associação Bahiana de Imprensa (ABI) divulgou uma nota, na tarde desta quarta-feira (08), para negar uma uma suposta decisão de acionar a Justiça para despejar a Prefeitura de Salvador de um imóvel pertencente à instituição. Em nota oficial, a entidade classificou a informação como equivocada e afirmou que não houve deliberação nesse sentido por parte de sua diretoria.
De acordo com a presidente da ABI, Suely Temporal, a notícia causou surpresa e estranhamento dentro da entidade. “Recebemos com absoluta surpresa a informação de que a ABI estaria considerando uma medida judicial de despejo. Essa hipótese não foi deliberada pela diretoria e sequer entrou em pauta nas instâncias formais da entidade”, afirmou, no comunicado.
Segundo informações que circularam nos bastidores, a diretoria estaria discutindo uma proposta de desejo da gestão municipal, que estaria acumulando uma dívida de pouco mais de R$ 3 milhões pelo descumprimento de uma cláusula contratual.
A ABI é dona do Edifício Ranulfo Oliveira, na Praça da Sé, onde a Prefeitura de Salvador mantém alguns órgãos, como a Secom. Se fosse aprovada, a Prefeitura teria que sair do local mesmo não conseguindo concluir as tratativas para a mudança de sede para o Palácio Arquiepiscopal, nova sede da gestão.
A confusão ocorre em meio a outro imbróglio que se arrasta por anos. A Justiça atendeu o um pedido do Ministério Público Federal (MPF) que, em novembro de 2000, determinou a saída da gestão municipal de sua sede oficial alegando que a estrutura não se adequava às restrições arquitetônicas da região. A prefeitura chegou a recorrer, mas não houve sucesso.
Suely Temporal esclareceu que a menção ao tema surgiu a partir de uma sugestão individual feita por um associado da ABI, sem qualquer caráter institucional. “Trata-se de uma proposta individual, que não foi discutida, analisada ou aprovada pela diretoria da ABI. Portanto, não corresponde à posição oficial da entidade”, reforçou.
Apesar do desmentido, a ABI reconhece a existência de um impasse contratual com a Prefeitura de Salvador, envolvendo a atualização de valores e o cumprimento de cláusulas do contrato vigente. Ainda assim, a entidade destaca que o diálogo segue como caminho prioritário para a resolução do problema, sem a adoção de medidas consideradas extremas.
A instituição também reiterou seu compromisso histórico com a defesa da liberdade de imprensa, da democracia e do interesse público, além de lamentar a divulgação de informações que, segundo a nota, não refletem a realidade dos fatos nem as decisões institucionais.
Por fim, Suely Temporal afirmou que qualquer posicionamento oficial da ABI será comunicado de forma transparente por seus canais institucionais. “Nosso compromisso é com a verdade e com a responsabilidade institucional. Seguiremos tratando esse tema com a seriedade que ele exige”, concluiu.
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