Política

ACM Neto diz que é preciso acompanhar PF de perto para evitar uso político da corporação

Deivid Santana / BNEWS
Candidato ao Governo da Bahia nega que tenha cometido irregularidades  |   Bnews - Divulgação Deivid Santana / BNEWS
Anderson Ramos

por Anderson Ramos

Publicado em 10/09/2026, às 12h06



O candidato ao Governo da Bahia ACM Neto (União Brasil) mostrou preocupação com uma eventual interferência e uso político da Polícia Federal nas eleições brasileiras neste ano. 

A declaração foi feita na manhã desta quinta-feira (10) em uma entrevista coletiva convocada pelo candidato para dar sua versão sobre a acusação feita pelo banqueiro Daniel Vorcaro, que em delação premiada rejeitada pela Justiça afirmou que Neto teria recebido, juntamente com o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, 10% dos valores aportados no Banco Master por institutos de previdência. O teor da delação foi publicada pelo portal Uol.

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Na conversa com os jornalistas, o ex-prefeito de Salvador negou qualquer tipo de irregularidade e se colocou à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos. No entanto, mostrou preocupação com a possibilidade que operações policiais possam ser usadas com o objetivo de prejudicar candidaturas contra o governo. 

“Acho que existem instituições que são instituições de estado e não de governo. A gente quando liga a televisão, lê um site, ouve uma rádio, essa é a notícia do país. Tudo isso acontecendo a poucos dias da eleição. Não poderia haver um momento mais delicado  do que esse. É muito importante ter cuidado para não perder o foco. O que eu espero? A minha torcida é que as instituições sejam preservadas. Espero que o judiciário atue com toda a independência necessária e é preciso acompanhar de perto, com uma lupa, as ações da Polícia Federal para que não haja um uso político da polícia”, afirmou Neto. 

Ele ainda avaliou que o teor da delação que veio a público hoje não vai afetar a sua candidatura. 

As pessoas me conhecem. Eu fui prefeito de Salvador por oito anos. Eu não respondo por nenhuma ação, não tem qualquer questionamento sobre a minha lisura na vida pública. Esse assunto estou fazendo questão de esclarecer para que a gente possa tocar minha agenda”, disse. 

Neto ainda disse que avalia entrar na Justiça.”Pedi que meu advogado avaliasse se cabe ou não alguma medida jurídica. Ainda não tenho resposta para dar”, informou.

Entenda o caso

De acordo com a terceira proposta de delação apresentada por Vorcaro, ACM Neto e Rueda teriam atuado para abrir as portas do Banco Master nos institutos de previdência do Rio de Janeiro, do Amapá e do Amazonas, além da Cedae. O banqueiro afirmou que, como resultado dessa movimentação, o Master teria captado R$ 2 bilhões.

Na versão apresentada pelo ex-banqueiro, a comissão de 10% teria gerado uma obrigação de R$ 200 milhões com os dois políticos. Vorcaro, porém, não informou quanto teria sido efetivamente pago.

O banqueiro também afirmou que, para cada grupo político que captasse investimentos, seriam destinados 10% do valor aplicado ou 1% por ano em que os recursos permanecessem investidos no Banco Master.

As propostas de delação de Vorcaro foram negadas pela PF e pela Procuradoria-Geral da República (PGR), sob a alegação de falta de informações inéditas e ausência de garantias para a devolução de valores relacionados às fraudes. O banqueiro tenta reabrir as negociações para uma colaboração premiada.

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