Política
por Henrique Brinco
Publicado em 04/10/2026, às 23h05 - Atualizado às 23h16
A vitória de Jerônimo Rodrigues neste domingo (4) garante ao PT mais quatro anos no comando da Bahia, mas também deixa uma tarefa que não pode ser empurrada para o fim do segundo mandato: começar a construir, desde já, o nome que poderá representar o grupo na eleição de 2030. Inclusive, diante da provável vitória de Flávio Bolsonaro no segundo turno, o cacique do Palácio de Ondina precisará mostrar habilidade política para resolver os principais problemas do estado.
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A reeleição, embora confirme a força da aliança petista, não pode ser lida como um cheque em branco. A disputa novamente foi marcada pelo acirramento com ACM Neto, repetindo a polarização de 2022 e mostrando que o grupo adversário permanece competitivo. Há, portanto, uma questão que se impõe ao PT baiano: quem será o sucessor de Jerônimo quando ele não puder mais disputar o Palácio de Ondina? Dizem que será Adolpho Loyola, mas este ainda não é uma unaminidade dentro da legenda.
A agremiação passou décadas construindo uma estrutura política capaz de sobreviver às trocas de governador. Jaques Wagner passou o bastão para Rui Costa, que posteriormente escolheu Jerônimo. Agora, o desafio é preparar a próxima transição. E isso significa dar visibilidade a novos nomes, testar lideranças e, principalmente, permitir que um eventual sucessor construa identidade própria sem depender exclusivamente da imagem de Lula.
A eleição também deixou outro recado bastante claro: segurança pública não pode mais ser tratada como um assunto secundário pelo governo. O tema dominou boa parte da campanha e esteve no centro dos confrontos entre Jerônimo e Neto. O próprio slogan do herdeiro do carlismo, “Mudança com Segurança”, colocou a violência no centro da disputa.
O PT reagiu apresentando investimentos, aumento do efetivo e redução das mortes violentas. Quase não se fala mais em assalto a ônibus e bancos, por exemplo. Mas a campanha mostrou que a percepção de insegurança ultrapassou a discussão sobre estatísticas. Tiroteios, facções, domínio territorial e medo passaram a fazer parte do cotidiano de muitos baianos e, consequentemente, da conversa eleitoral.
ACM Neto saiu derrotado desta vez, mas caiu atirando. Já acusou a sigla de cometer 'baixaria' na reta final da campanha e sinalizou que deve apoiar Flávio Bolsonaro no segundo turno. "Nós vamos mudar o Brasil para certamente depois mudar a Bahia", avisou.
A reeleição, portanto, encerra uma batalha, mas abre outra. Jerônimo terá quatro anos para governar e o PT terá o mesmo período para preparar 2030. Se quiser manter a hegemonia construída desde 2006, o partido precisará cuidar das duas coisas ao mesmo tempo: entregar resultados no segundo mandato e formar, sem atropelos, quem ainda poderá pedir o voto dos baianos daqui a quatro anos. Que comecem os jogos!
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