Política

Aos 72 anos, deputada desabafa sobre diagnóstico de câncer de mama: “Não tenho medo da morte”

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Deputada federal Roseana Sarney, diagnosticada com câncer de mama, compartilha detalhes sobre seu tratamento e desafios pessoais  |   Bnews - Divulgação Reprodução/Instagram
Bruna Rocha

por Bruna Rocha

Publicado em 19/11/2025, às 13h55 - Atualizado às 13h56



A deputada federal e ex-governadora do Maranhão, Roseana Sarney (MDB), de 72 anos, foi diagnosticada, em agosto deste ano, com um câncer de mama do tipo triplo-negativo.

Em entrevista ao O Globo, concedida no quarto do 9º andar do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, dois dias antes de passar pela 12ª sessão de tratamento, a parlamentar abriu o coração sobre a rotina e os desafios enfrentados.

Ao longo de 50 minutos, a filha do ex-presidente José Sarney detalhou o impacto do diagnóstico em sua vida e como tem lidado com o processo.

“Vim para São Paulo em agosto fazer um check-up, mas por outro motivo. Eu tinha perdido alguns quilos sem explicação, sem dieta, nada. As pessoas falavam que eu tinha tomado Mounjaro, para você ter uma ideia. Decidi então fazer uma colonoscopia.”

Roseana explicou que o câncer é “um tipo de tumor raro e agressivo” e contou que havia planejado uma estadia curta na capital paulista: “Vim passar cinco dias em São Paulo e estou há três meses sem sair daqui”.

A deputada relatou que está sendo submetida a uma combinação de quimioterapia e imunoterapia, e descreveu os efeitos colaterais.

“Estou com uma coceira que é uma tortura. Minha pele está toda manchada. Os sintomas são mais leves pela manhã e ficam mais fortes à tarde. Peço para o Jorge (seu marido, Jorge Murad) ou uma amiga que me visita passar creme na minha perna, alivia um pouco. Tomo anti-histamínico injetável. O tratamento afetou minha tireoide também. Não tenho restrição alimentar, mas perdi parte do paladar. Sinto o sabor de poucos alimentos. Batata-doce é um deles, então insisto nela de manhã.”

“Café com leite e um caldo de verdura quentes me dão prazer. Sinto o sabor de sorvete de limão, mas se tomar muito me fere a boca. Perdi muito o apetite. Estou com um pouco de dificuldade de atenção, praticamente não leio mais, nem vejo filmes ou séries. Programas de culinária, decoração e futebol me distraem. Me faz muito bem andar. Caminho em casa, dou uma volta no quarteirão ou nos corredores do hospital. Ginástica não consigo fazer, me canso. Tenho acompanhado as notícias, a COP, as pesquisas políticas. Semana passada tive reunião com o Baleia (Rossi, presidente do MDB). O ritmo do trabalho diminuiu, mas não parei.”

No fim da entrevista, Roseana falou sobre o impacto do diagnóstico na família, especialmente no pai, o ex-presidente José Sarney.

“Meu pai é muito apegado a mim, sou filha única. Para ele, sou ainda uma menina. Ele ficou bastante abalado, com medo, e foi para o lado religioso. Ele é muito ligado à Irmã Dulce e disse que conversou com ela, e ela disse que eu ia me curar. Minha mãe falou uma frase de que eu gosto muito: que eu só tenho medo do desconhecido.”

“E agora estou de frente para o desconhecido. Minha grande preocupação é não mudar a vida da minha família. Eles agora querem passar o Natal comigo. Eu falei que iria para o Maranhão, mas não vou, é muito longe neste momento. Vou passar com meu marido aqui em São Paulo. Espero que o tratamento dê certo e que no ano que vem a gente passe todos juntos com tranquilidade.”

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