Política
por Daniel Serrano
Publicado em 30/09/2025, às 12h07 - Atualizado às 12h07
A atriz, diretora e produtora Zeca de Abreu é a nova coordenadora de teatro da Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB), entidade vinculada à Secretaria de Cultura do Estado (Secult), responsável pela gestão das políticas públicas para as Artes na Bahia. A nomeação foi publicada nesta terça-feira (30), no Diário Oficial do Estado.
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De acordo com o secretário de Cultura da Bahia, Bruno Monteiro, Zeca de Abreu foi escolhida para o cargo para ampliar as políticas públicas para o teatro baiano, na democratização e territorialização dessa política e dos investimentos em formação, qualificação e infraestrutura que já estão em curso e dos que ainda virão.
“Zeca de Abreu tem muito a contribuir com essa gestão. Sua nomeação é resultado de muito diálogo e de uma construção cuidadosa ao longo dos últimos meses. Uma grande liderança de um movimento que reivindica políticas para o setor, especialmente no sentido de recuperar ações e pautar o futuro do teatro, com a compreensão sobre a necessidade de debater a segurança na trajetória do profissional das artes e combater a descontinuidade de políticas estruturantes”, afirmou Monteiro.
Para Zeca, a nomeação traz responsabilidade, mas também sinaliza uma importante abertura de diálogo.
“Recebo este convite com gratidão e senso de responsabilidade, entendendo que ele reflete também a abertura do Estado em dialogar com o Movimento Teatro Profissional da Bahia. É um gesto significativo de aproximação entre gestão pública e a realidade vivida pelos artistas, técnicos e produtores que sustentam o teatro em nosso estado", disse a nova gestora.
"Minha expectativa é contribuir para que essa abertura se traduza em políticas sólidas, contínuas e capazes de fortalecer o teatro em toda a sua diversidade. Entro nesse desafio com disposição para o diálogo, para a escuta e para a construção coletiva, certa de que o teatro, além de expressão artística, é um patrimônio vivo, um direito cultural e um espaço fundamental de cidadania”, acrescentou.
A nomeação de Zeca de Abreu acontece depois de críticas feitas pelo ator baiano Wagner Moura ao atual cenário cultural na Bahia. Durante a apresentação à imprensa da peça “Um Julgamento – Depois do Inimigo do Povo”, ocorrida no último dia 22, o artista disse que os governos estaduais comandados pela esquerda não têm priorizado o setor cultural, em especial o teatro.
“A cena cultural, teatral sobretudo, depende de incentivos públicos. Acho que isso não está acontecendo. Lamento que não esteja acontecendo nos seguidos governos do PT na Bahia”, declarou Wagner, que lembrou do início da carreira no teatro baiano e comparou o período com o cenário atual.
“E essa época era durante o governo de Antônio Carlos Magalhães. Isso me dá uma angústia muito grande, mas é verdade. Eu não quero aqui criar uma polêmica com a Secretaria de Cultura, nem com a quantidade de dinheiro destinado à cultura na Bahia. Mas acho mesmo que governos de esquerda deveriam, por natureza, incentivar muito mais a cultura e, sobretudo, no caso específico do teatro”, disparou.
Já na última terça-feira (23), o governador Jerônimo Rodrigues (PT) reagiu à fala de Wagner Moura. O petista disse que pediu ao secretário Bruno Monteiro que conversasse com o ator e recebesse Bruno Monteiro para conversar com o ator para receber sugestões para realizar melhorias no setor.
“Pedi para o secretário Bruno conversar com o ator, se tem como ele contribuir de alguma forma, quais são as sugestões dele. Nós temos feito um esforço muito grande, por exemplo, não vou pegar na cultura agora. Todas as escolas nossas têm teatro e nessas escolas não é só o teatro físico”, disse o governador.
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