Política
por Henrique Brinco
Publicado em 25/06/2025, às 22h31 - Atualizado às 23h27
A ausência completa da bancada baiana do PSD na votação que derrubou o decreto do presidente Lula sobre o aumento do IOF, nesta quarta-feira (25), é mais um alerta no Palácio do Planalto sobre um possível afastamento do partido da base aliada. Embora historicamente aliado do PT na Bahia, o PSD baiano não participou da sessão decisiva na Câmara, enquanto o restante da bancada nacional da sigla votou em peso pela derrubada da medida — uma derrota expressiva para o governo.
Dos 42 deputados do PSD, pelo menos 26 votaram a favor da revogação do decreto presidencial, acompanhando partidos de oposição e do centrão. Apenas um parlamentar da legenda — Hugo Leal, do Rio de Janeiro — votou contra a derrubada. O voto maciço da legenda em favor da proposta indica um desalinhamento crescente entre o partido e o governo federal, apesar de espaços ocupados pelo PSD na Esplanada.
O comportamento da legenda também se insere num contexto mais amplo de reposicionamento estratégico para as eleições de 2026. O partido já articula candidaturas próprias ao Palácio do Planalto, com dois nomes bem posicionados nacionalmente: o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e o do Paraná, Ratinho Júnior. Ambos são filiados ao PSD e vêm sendo apontados como pré-candidatos viáveis à sucessão de Lula, caso o partido decida abandonar de vez o apoio ao atual governo.
Na Bahia, a ausência dos deputados Antonio Brito, Charles Fernandes, Diego Coronel, Gabriel Nunes, Otto Alencar Filho e Paulo Magalhães na votação pode ser lida como um movimento calculado para evitar o desgaste com o Planalto, sem contrariar a linha majoritária da sigla.
Aliado histórico do lulismo na Bahia, o senador Otto Alencar, presidente estadual do PSD, ainda não se posicionou publicamente sobre a votação. Nos bastidores, no entanto, a ausência dos deputados é interpretada como um sinal de que o partido baiano poderá buscar maior autonomia rumo a 2026.
Caso o afastamento se confirme nos próximos meses, o PSD pode se consolidar como uma das principais forças do centro nacionalmente, disputando diretamente o protagonismo com o União Brasil e o MDB. A movimentação também coloca em xeque a estabilidade da base de Lula no Congresso, já fragilizada por sucessivas derrotas em votações estratégicas.
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