Política

Bahia Sem Fome já tirou 1,3 milhão de pessoas da insegurança alimentar

Amanda Ercília / GOVBA
Salvador e Feira de Santana não aderiram ao sistema de segurança alimentar  |   Bnews - Divulgação Amanda Ercília / GOVBA
Yuri Pastori

por Yuri Pastori

yuri.pastori@bnews.com.br

Publicado em 30/12/2025, às 12h54 - Atualizado às 12h56



O coordenador geral do Bahia Sem Fome, Tiago Pereira, detalhou, nesta terça -feira (30), na sede do programa no Centro Administrativo da Bahia, o progresso expressivo do estado no combate à desnutrição de 2023 a 2025. O gestor destacou que 1,3 milhão de pessoas já superaram a insegurança alimentar severa na Bahia neste período. 

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Nós temos um dado de 2024 em que apontava naquele momento uma redução de 1 milhão de pessoas e nós temos um dado agora de 2025 que mais 300 mil pessoas saíram do Mapa da Fome na Bahia. Então hoje nós totalizamos uma redução de 1,3 milhões de pessoas, segundo o IBGE", afirmou.

Pereira ressaltou que em 2025 o Brasil e a Bahia saíram oficialmente do Mapa da Fome, segundo Diretrizes da FAO. O gestor pontuou, no entanto, que a Bahia ainda tem 760 mil pessoas que precisam da atenção do estado.

São famílias que não têm documentação, na maioria das vezes, que não estão acessando o sistema de educação, que não têm uma rede de proteção próxima ali cuidando, acolhendo, envolvendo. Um dos principais desafios é a gente chegar até essas famílias e ao mesmo tempo é a gente dar conta da determinação do governador, que é de mobilizar todo o estado baiano, os entes de governo, a iniciativa privada e a sociedade civil para que a gente encontre essas pessoas", disse. 

O coordenador afirmou que quanto maior o município, maior é a quantidade de pessoas em situação de vulnerabilidade social, consequentemente, é maior também a situação de insegurança alimentar.

Hoje Salvador está em destaque no Mapa da Fome do Brasil. Uma das capitais que mais tem pessoas passando fome. É uma cidade que não tem adesão ao sistema de segurança alimentar. Hoje, a gente tem 189 municípios com adesão ao sistema. Salvador e Feira de Santana estão fora. Juazeiro, Conquista, Lauro de Freitas e Camaçari já têm", explicou. 

Investimento

A Bahia fez um investimento de cinco bilhões de reais em três anos na agenda do combate à fome. Segundo Tiago Pereira, o sucesso do programa depende da integração entre o setor público, a sociedade civil e a iniciativa privada. Entre as ações estratégicas estão o fortalecimento da agricultura familiar, o suporte a cozinhas comunitárias e a garantia de acesso à água e a nutrição escolar. 

Em 2025, nós temos um recorte de investimento de R$ 1,8 milhão de reais. Isso significa recursos para alimentação escolar, recursos para cozinhas comunitárias e solidárias. Isso significa assistência alimentar através de cestas básicas, recursos para acesso à água e inclusão produtiva", disse.

Arrecadação e aquisição de alimentos

A Bahia além de estimular a sociedade a doar para o programa, também adquire os alimentos. "O estado tem duas ações importantes. Uma é a campanha de arrecadação de alimentos, em que a gente mobiliza a sociedade nos shows, nas corridas, nos esportes, nos jogos de futebol, nas estruturas públicas. A gente tem mobilizado a sociedade para doar alimentos. O estado recebe esses alimentos, confere a validade, organiza as cestas básicas", afirmou.

Só nessa agenda, a gente conseguiu nesse ano aí movimentar aproximadamente 500 toneladas de alimentos,na campanha de arrecadação e doação de alimentos. E o estado também tem feito a aquisição de cestas básicas. Só no ano de 2025 foram aproximadamente 150 mil cestas básicas compradas e dadas a população em situação de vulnerabilidade", disse.

As cestas básicas em 2025 chegaram nos municípios em situação de emergência por causa da seca ou de enchentes. "O estado chegou ali de forma primeira, pioneira, junto com o Corpo de Bombeiros, junto com a Defesa Civil também fazendo uma complementação alimentar. Então nós conseguimos movimentar aí ao longo desse ano aproximadamente 1.000 toneladas de alimentos", contou. 

Edital para prefeituras

Um edital foi aberto com aproximadamente R$ 60 milhões de investimento para que as prefeituras apresentassem propostas de combate à fome: "Naquele primeiro momento o edital ia selecionar 100 prefeituras para a gente viabilizar ações de combate à fome. Só que como a gente só recebeu 118 propostas, uma decisão do governador Jerônimo com a nossa gestão aqui do Bahia Sem Fome foi contratar as 118 prefeituras".

O gestor disse que o programa Bahia sem Fome ultrapassa a simples arrecadação de donativos e promove uma transformação social profunda. Dentre as frentes de atuação, ele destacou que o combate à insegurança alimentar envolve desde o apoio à agricultura familiar e o acesso à água até a qualificação profissional e a manutenção de cozinhas comunitárias. A iniciativa articula recursos estaduais e federais para garantir que a alimentação escolar e a transferência de renda cheguem aos cidadãos. 

O presidente Lula tem o plano Brasil Sem Fome e também tem feito um conjunto de aportes, potencializou o novo Bolsa Família. São 20 bilhões de reais que entram por ano no Brasil, na Bahia para dentro do Bolsa Família. Nós temos o Auxílio Gás, o BPC, nós temos recursos do governo federal para o programa de aquisição de alimentos, para acesso à água. Ou seja, todas essas ações articuladas, governo do Brasil, governo do presidente Lula, governo da Bahia, sob a liderança do governador Jerônimo, tem de certa forma feito com que a gente chegue com Bahia Sem Fome em cada canto", finalizou.

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